Programadores serão os mágicos do futuro

Daniel Fernandes

12 de julho de 2013 | 07h49

O Brasil precisa desses profissionais


Imagine Bill Clinton, will.i.am (líder do Black Eyed Peas), o jogador da NBA Chris Bosh (foto), o ator Ashton Kutcher, Dr. Mehmet Oz (medico-celebridade-apresentador de TV),  Mike Bloomberg (prefeito de Nova Iorque), Leland Melvin (astronauta), Stephen Hawking (físico), Arne Duncan (ministro da Educação dos EUA) se alinhando a empreendedores como Bill Gates (Microsoft), Mark Zuckerberg (Facebook), Richard Branson (Virgin Group), Jack Dorsey (Twitter) ou Drew Houston (Dropbox) para pedir a mesma coisa: Que todo estudante em todas as escolas tenham a oportunidade de aprender a programar um computador. Todos estão unidos em uma única iniciativa: A Code.org (www.code.org).
De certa forma, este é o tema do post do empreendedor Renato Steinberg da Fashion.me que escreve as terças no Blog do Empreendedor Estadão PME. Precisamos não só ter mais programadores, mas pessoas que gostam de programar. O escândalo desta semana sobre a espionagem norte-americana no Brasil, não só mostra a vulnerabilidade digital do país, mas a importância de formarmos muito mais talentos em computação. É este tipo de profissional que tem permitido que tenhamos mais acesso às informações e várias outras facilidades. Os recentes protestos vistos no Brasil, só organizados porque dois programadores talentosíssimos – Mark Zuckerberg e Jack Dorsey –, lideraram a criação de Facebook e Twitter, respectivamente. Imagine juntar todo esse povo por meio de cartas, murais ou mesmo pelo telefone…
Mais do que simplesmente escrever códigos, aprender a programar nos ensina a pensar – dizia Steve Jobs. E como precisamos de gente que pensa neste país. E este demérito não é só nosso. É de qualquer nação que sonha em ser uma. Daí a importância de iniciativas como o Code.org.
Americanismos a parte, os chineses formam um dos maiores grupos de usuários desta iniciativa. Não é só interesse do governo chinês de ter milhões de cientistas e engenheiros da computação. É interesse de cada chinês que vê no conhecimento de programação uma chance de mudar de vida. Faça as contas: Imagine criar um negócio em que cada chinês gaste míseros 10 centavos! É pouco, mesmo para o baixo salário médio da China. Por outro lado, a China tem quase 1,4 bilhão de pessoas. Seria um ótimo negócio. E é. A Tencent Holdings, fundada pelos programadores Ma Huateng e Zhang Zhidong, vale hoje cerca de US$ 65 bilhões. Um chinês que pensa assim não vai ficar brigando pela reforma agrária. Uma das frases de impacto no vídeo que divulga o Code.org é “Você não precisa ser um gênio para codificar. Precisa ser determinado.” Portanto, qualquer pessoa determinada pode aprender a programar, ganhar mais dinheiro e ter mais impacto na sociedade do que ficar brigando por um pedaço de terra. As terras hoje são digitais! Foi com isto em mente que o programador Cléber Manzoni criou a Enalta que oferece soluções de agricultura de precisão para empresários de agribusiness (que há muito tempo deixaram de ser meros agricultores). Em 2013, a Enalta foi considerara uma das empresas mais inovadoras do mundo segundo o ranking da revista FastCompany. Por esta razão, o Brasil pode sim pular do Século XIX para o Século XXI….
Mas é preciso termos mais programadores e mais pessoas que gostam de programar no Brasil. Isto é uma discussão de independência nacional, empresarial e até pessoal. Saber programar não fecha nenhuma porta, mas abre muitas e algumas que ainda nem existem.
E por isto a Code.org tem mais um mérito: incentivar crianças a programar. E crianças aprendendo inputs e outputs tem um poder incrível. Elas aprendem não apenas lógica, mas visão sistêmica. Lógica e visão sistêmica serão úteis durante toda a sua vida! Fica mais fácil aprender sobre química e biologia e também sobre os impactos da corrupção ou de um lixo descartado incorretamente. Saberão que dar um pedaço de terra a alguém despreparado vai manter o estado que é: um pedaço de terra. Que dar uma bolsa para quer que seja sem exigir crescimento pessoal vai manter o estado que é: algo pendurado. Que manter o Estado do jeito que está só beneficia quem gosta do estado do jeito que é.
Mas seus filhos brincam de Barbie ou Galinha Pintadinha? Sem problemas. Há histórias incríveis de empreendedores que criaram estes personagens. Mas os incentive a programar também. Como? Conheça o Scratch (www.scratch.mit.edu), o Light Bot (www.light-bot.com), o Kids Ruby (www.kidsruby.com), o Little Bits (www.littlebits.com) ou o Move the Turtle (www.movetheturtle.com). Pode ser uma boa aposta. Mark Zuckerberg (Facebook) aprendeu programar na 6ª série, Bill Gates aprendeu aos 13 anos, Jack Dorsey (Twitter) aos 8. Para eles, aprender a programar foi “como tocar um instrumento ou praticar algum esporte”- como é defendido pelo Code.org.
Quem entrar no Code.org descobrirá que programar é o novo jogo de quebra-cabeça do Século XXI. Tem o de 10 ou 20 peças para os iniciantes, os de mil peças para os entendidos, e até os de 1 milhão de peças para mais determinados.
Pensando assim, quem sabe não orgulharemos um dia de termos os neymares da computação mundial.

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