Primeira infância: uma oportunidade de empreender e construir um novo Brasil

Daniel Fernandes

06 de setembro de 2017 | 08h39

É inconcebível viver em um país com tanta disparidade. São inúmeros temas críticos enfrentados pela população de menor renda que impendem o desenvolvimento pleno para uma vida digna. Mas, entre todos os desafios, o mais alarmante – por gerar grande parte da desigualdade que vemos hoje – está na falta de atenção adequada às crianças brasileiras mais vulneráveis.

A falta de acesso básico a serviços e a estímulos de qualidade na primeira infância – período que vai da gestação aos seis anos – pode romper com um ciclo de oportunidades socioeconômicas na vida adulta. Na prática, não investir em uma rede de proteção para as crianças resulta em um alto custo para o desenvolvimento socioeconômico do país. A conta é bem simples: o investimento na primeira infância, prioridade em países com economias fortes, gera uma sociedade composta por adultos socialmente produtivos, que contribuem para o crescimento econômico.
Estudos apontam que, à medida que crescem, as crianças que vivem na linha da pobreza experimentarão baixo desempenho escolar, incluindo altas taxas de repetência e evasão, altas taxas de fertilidade e de morbidade – que contribuem para a ineficiência e altos custos públicos nos setores da educação e da saúde. Se tornam adultos mais propensos a ter baixa produtividade e renda; a não prestar cuidados suficientes aos filhos, contribuindo para a transmissão intergeracional da pobreza. Em suma, são suscetíveis a contribuir menos para o crescimento econômico do país.
Embora a temática seja pouco explorada no Brasil, a primeira infância constitui uma janela de oportunidades para empreender negócios de impacto social, que resultam na melhora da qualidade de vida de crianças, mães e das famílias. Movida pela vontade de construir empresas de sucesso, uma nova geração de empreendedores e empreendedoras tem investido em startups inovadoras, dentro da lógica de criar empresas que possam oferecer soluções para problemas sociais.
E que lógica é essa? Empreendedoras e empreendedores são movidos a desafios. No caso da primeira infância, há inúmeros: há um déficit de 1,8 milhão de vagas em creches e nível insatisfatório na qualidade do ensino infantil, apenas 8,7% do investimento público em educação está direcionado à primeira infância; 77% das crianças de até três anos não frequentam creches e estão sob a responsabilidade de adultos; e há uma enorme carência de serviços de atendimento para crianças com deficiência. Ou seja, há muitos problemas esperando por empreendedores para resolvê-los.
Coerente com o pioneirismo na disseminação e fomento de negócios de impacto social no Brasil, a Artemisia, inspirada pelo trabalho da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal – organização referência no tema no Brasil –, tem apoiado negócios inovadores com foco em primeira infância. Descobrir Brincando, CanalBloom, Adoleta, Tá.Na.Hora (TNH), PlayMove e Erê Lab são algumas das startups mais promissoras no setor.
Empresas que mostram que investir na primeira infância é bom para o empreendedor e é bom para o Brasil. Seguimos acreditando que é possível ganhar dinheiro e mudar o mundo!
* Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.
 

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