Por que os taxistas vão sobreviver ao Uber se quiserem?

Daniel Fernandes

27 de julho de 2015 | 18h57

O que acontece quando você domina um mercado e chega um concorrente com dinheiro no bolso, disposição para ganhar a maior parte dos seus consumidores e, principalmente, uma solução inovadora que cativa – pelo menos em parte – essa demanda? Você arregaça as mangas e elabora uma estratégia para fazer frente a esse novo desafio.
Veja bem, há MBAs inteiros no mercado destinados à formulação de estratégias empresarias em um mundo cada vez mais competitivo, com cada vez mais opções para o consumidor. Eles custam, muitas vezes, um valor de um carro zero quilômetro. E ensinam muito sobre o que fazer nesses casos.
Mas há ações práticas que, se adotadas, podem fazer frente a qualquer concorrente ameaçador, como os taxistas parecem encarar o Uber. Abaixo, algumas dicas formuladas, um pouco, com base no que é ensinado nesses mesmos MBAs.
1) Pare de chorar!
Mas pode ser pare de reclamar, de gritar, de protestar, até! É bem possível que o Uber venha para ficar no Brasil – é verdade, também, que pode ocorrer o que Marcelo Rubens Paiva previu. Mas prefiro acreditar que os taxistas têm agora um concorrente de peso pela preferência do consumidor.
2) Atendimento
Se você perguntar o que o cliente quer de um produto ou serviço, ele vai dizer: preços menores!!!!!!! É assim que a roda gira…na cabeça do consumidor. Ele aceita até a pagar mais quando é bem atendido ou quando percebe valor naquilo que ele está adquirindo. No caso dos táxis, não é possível mexer no preço. Mas é possível prestar um serviço eficiente: seja cordial com o passageiro, mantenha seu veículo limpo e arrumado e não se recuse a seguir o caminho sugerido pelo cliente (que vai estar com o Waze na mão). São pequenas ações que ajudam a melhorar a experiência do consumidor, do passageiro.
3) Experiência
Acostume-se. Para escolher entre o Uber e o táxi, o consumidor leva em conta a experiência. Além do que citamos acima, quais são os diferenciais que o taxista pode oferecer? Wi-fi gratuito? Jornais, revistas gratuitas? Um serviço de aconselhamento sobre os melhores restaurantes da cidade? O que você pode ter que o Uber não tem?
4) Preparação
O que nos leva até a última dica. Você está preparado para ser um motorista melhor? Para ser um prestador de serviços melhor? Para ser um empreendedor melhor?
Sim, você pode ficar sentado atrás do volante do seu carro esperando que a prefeitura do seu município proíba o Uber. Mas e se isso não acontecer? Aposto que tem outros concorrentes – outros taxistas – que já estão se preparando.
Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

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