Por que o profissional de startup se tornou mais visível e valorizado na crise

Por que o profissional de startup se tornou mais visível e valorizado na crise

O trabalho remoto, em alta com a pandemia do coronavírus, exige profissionais engajados, adeptos a mudanças, com alta capacidade de entrega versus menor cobrança em tempo real

Ana Vecchi

02 de julho de 2020 | 10h01

Brasileiros e empresas vêm se reinventando dia a dia, a tecnologia tomou a frente de negócios em geral e inovar é a chave para buscar espaço no novo modelo de mercado. Porém, o que não mudou, desde sempre, é o desafio de encontrar o perfil ideal de time para ajudar novas empresas a escalarem seus negócios.

Uma startup de sucesso deve fazer mais com menos. E, atualmente, muito mais com muito menos, até um investidor se encantar com o propósito da startup. Este é o sonho de todos. Uma estrutura enxuta, altamente eficiente, com foco em resultado agressivo, a curto prazo e a baixo custo, é um desafio para qualquer empresário. Empreender assim é arriscado, mas as notícias de compras milionárias seduzem mais do que alertam para o risco.

Conhecimento e técnica são de grande importância, mas o essencial é o perfil do profissional, afinal conhecimento se adquire e perfil talvez tenha mais a ver com as habilidades que nascem com a gente e são o tempero de cada um. Dedicação e foco em resultado, em vez de altos salários, entrega em vez de contagem de horas trabalhadas, motivação por desafio e espírito empreendedor são, cada vez mais, as chaves para o crescimento necessário.

O trabalho remoto, home office, como nova tendência de mercado de empregos e de empreendedorismo, exige profissionais engajados, adeptos a mudanças, com alta capacidade de entrega versus menor cobrança em tempo real e foco, muito foco!

Os gestores de empresas tradicionais estão encantados com este perfil de profissionais e meio que não acreditavam que eles existissem ou que fossem realmente confiáveis. Sabe aquela pergunta, “como vou controlá-los?”. Ela não existe nas lideranças de startups. Minha pergunta: como e para que controlar um time formado para inovar, criar e escalar em um cenário de incertezas?

Ambiente do Inovabra, ecossistema de inovação do Bradesco, em São Paulo. Foto: Daniel Teixeira/Estadão-10/6/2019

Trabalhar em startup é um constante 7 x 1, mas o prazer de fazer um gol e saber que todo o esforço será recompensado quando houver a captação de investimento, a rentabilidade e até mesmo o break-even fecham a conta. Se sentir parte deste contexto é a vida de um ‘startupeiro’.

Ter uma ideia, criar um produto e/ou serviço, começar um negócio do zero, fazer a diferença na vida das pessoas e solucionar a dor do cliente de forma lucrativa é o sonho de muita gente e virou uma necessidade para muitos, por conta do novo coronavírus e suas consequências. Mas sozinho não se realiza muito e sem o time “correto” esse sonho pode não virar realidade.

Algumas provocações:

Empresário: Qual o propósito de sua empresa e as estratégias? Se inovação, tecnologia e escalabilidade não permeiam a base da empresa, sua empresa é tradicional. Se você quer mudar seu mind set, adequar sua empresa à disrupção, velocidade de entrega e rentabilidade de uma startup, não mude nem aumente seu time dentro do seu padrão (antigo) de definição de perfil de equipe. Não vai dar certo repetindo o mesmo modelo!

Inove o que você tem dentro da empresa, quebre barreiras e contrate um time com o novo perfil que busca para seu negócio. Se aventure em um mercado agressivo, acelerado, com muito mais desafios, mas que este time vai ajudar a dar certo. O retorno vai o surpreender e compensará o esforço pela mudança.

Empreendedor: invista tempo, dedique-se na construção de sua equipe com perfis que se complementem entre hard e soft skills, enxuta e engajada, consciente e agressiva. Seja um líder e não um chefe. Assim sendo, o caminho do sucesso estará sendo traçado.

* Ana Vecchi é consultora de empresas, fundadora e CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBA, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 30 anos, no ciclo de vida das empresas, da criação à expansão de negócios e ocupação estratégica de mercado. É mentora de investidores e empreendedores, além de conselheira de empresas tradicionais e startups.

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