Período sabático: pense em incluir na sua lista de desejos para 2016

Daniel Fernandes

11 de dezembro de 2015 | 06h25

No ranking das melhores empresas para se trabalhar nos Estados Unidos da revista Fortune, um critério chama a atenção por ser bom demais para ser verdade: A empresa permite que seu colaborador tire um período sabático e ainda o remunera por isso.  Como assim? Pois é… Empresas como Adobe, Autodesk, Boston Consulting Group, Genetech ou General Mills têm políticas que permitem que o funcionário se ausente por dias ou meses para se desenvolverem pessoalmente, seja estudando, viajando, atuando em outra área ou fazendo trabalho voluntário. Por que as empresas fazem isso? Pelas razões mais óbvias: Querem colaboradores de corpo e alma (e não apenas empregados de corpos presentes), mais comprometidos, menos estressados e mais produtivos. E algumas

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têm validado estas hipóteses.
Cena do filme Comer, Rezar, Amar. Foto: Divulgação
Agora vamos voltar à realidade: Este benefício existe apenas para os colaboradores que a empresa entende que são talentos imprescindíveis. E mesmo que você seja um, isto ocorre em empresas nos Estados Unidos, Inglaterra e Canadá.
Mas como o Brasil está indo da recessão para a depressão econômica e ainda assim, muitos acreditam que o país tem potencial (em algum momento do futuro), planejar um período sabático, mesmo que, provavelmente, não remunerado, para 2016 pode ser uma solução inspiradora para quem está perdendo as esperanças.
Se ainda estiver empregado, primeiro pesquise se a empresa já ofereceu esta alternativa no passado. Em seguida, converse com seu chefe se faria algum sentido um período sabático que possa reduzir, temporariamente, os custos da empresa por um lado e promover o crescimento pessoal do colaborador do outro. Por fim, entenda se o seu contrato de trabalho pode ser suspenso e, em alguns casos, se está previsto na convenção coletiva da sua categoria. Também analise se haveria a possibilidade de licença não remunerada. Dado a necessidade de algumas empresas de forte redução de custos neste momento, analisar pedidos de períodos sabáticos pode fazer algum sentido para os melhores talentos que a empresa tem, mas que por alguma razão, precisaria se desfazer agora.
Se já estiver desempregado e com baixas perspectivas de recontratação nos próximos meses, um período sabático bem planejado e, principalmente, bem vivido pode ter um impacto muito positivo na sua carreira. Primeiro, já teria uma razão (e não uma desculpa) para ter ficado “tanto” tempo fora do mercado. Também evitaria os aborrecimentos do mercado em que atua que ainda estão por vir em 2016. E o mais importante: Você terá a chance de se reinventar como pessoa e profissional, viverá novas experiências e terá novas perspectivas.
Assim, considere fazer aquele curso de duração mais longa que sempre sonhou, viajar à base de mochila e albergues como se tivesse 18 anos, passar um período sem pressa em uma cidade para fazer novos amigos, atuar como voluntário em alguma causa que mereça a sua luta ou para colocar aquele seu projeto pessoal que sempre quis fazer mas a sua rotina sempre servia como desculpa.
Se não puder fazer isto por você, (é óbvio, mas) quem mais poderia fazê-lo? No sabático, você se torna empreendedor e investidor de si mesmo!
Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo e inovação do Insper