Perdas de patrimônio por conta das chuvas: o clima não é o único algoz

Perdas de patrimônio por conta das chuvas: o clima não é o único algoz

Seguros sobre o patrimônio são feitos para proteger franqueados em circunstâncias de perdas por desastres ou roubos

Ana Vecchi

13 de fevereiro de 2020 | 20h10

É impressionante o tanto de coisa desagradável que acontece em janeiro e fevereiro devido às fortes chuvas, típicas desse período do ano. De forma geral, as notícias são muito impactantes, com bens materiais de toda sorte que se vão com as enchentes, inundações e alagamentos.

E é fácil tratar o clima sempre como o algoz de todas as tragédias que acontecem. Infraestrutura? Também são séculos de governos tentando criar soluções. Tratam-se de capítulos de uma novela que parece não ter fim.

Mas vamos falar especificamente de franqueadores e franqueados que são impactados pelo clima e o que eles devem fazer para evitar perdas maiores. Conversei com a amiga e advogada Andrea Oricchio e percebi que, entre os nossos clientes em comum, a discussão habitual é a necessidade de haver uma cláusula nos contratos de franquia referente ao lucros cessantes.

Não sou advogada e a conversa com a Andrea foi coberta de termos jurídicos que sou incapaz de repetir. Portanto, perdão pelas possíveis palavras ou definições inadequadas, mas tenho certeza de que a mensagem estará correta.

Investir em seguros e cláusulas de contrato sobre lucros cessantes fortalecem franqueado em caso de perdas de patrimônio por desastres naturais ou roubos. Foto: Werther Santana/Estadão

Os lucros cessantes estão inseridos no contexto de dano material, que se subdivide em dois tipos: danos emergentes (visíveis à ocorrência do acontecido, provocando diminuição no patrimônio) e os lucros cessantes (dano causado ao franqueado, por exemplo, pelo o que deixou de faturar em razão do prejuízo sofrido).

Isso quer dizer que, em função de uma inundação ou roubo, ele perde o estoque, equipamentos, mobília do ponto de venda, produtos em exposição, entre outros, e deixa de ter receita por não poder vender. Por consequência, não pode pagar os salários dos funcionários, fornecedores e os royalties à franqueadora.

Reconstruir um ponto de venda demanda meses, no qual o franqueado fica sem faturamento e precisa de um novo investimento com a contratação de um arquiteto, engenheiro de obra e com a compra de todo o enxoval do local. Se não houver um seguro prevendo esse ressarcimento, quem paga a conta?

Seguro é investimento na segurança do patrimônio e da receita dos franqueados. Protege ambos – franqueador e franqueado. Apoio moral não paga as conta. Vamos usar as imagens cruéis que estamos assistindo, de novo, ano após ano, para aprender a gerir nossos negócios com visão preventiva.

Se não pelo bem de todos e do planeta, façamos pelo próprio bem dos que nos cercam e dependem de nós. Com a capilaridade das redes, essa cultura de prevenção muda o mindset de toda uma geração de franqueados, de redes franqueadas e seus franqueadores.

Precisamos entender melhor o que é gestão sustentável e como ela nos beneficia em todos os aspectos. E a quem duvide, asseguro que dá lucro. Revejam seus contratos e modus vivendi, caros empresários.

Dias melhores virão.

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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