Pela volta da era dos 'bens duráveis'

Daniel Fernandes

29 de janeiro de 2015 | 06h00


Outro dia eu vi uma palestra muito interessante de uma senhora indiana, o nome dela é Shri Mataji Nirmala Devi. Uma guru. Das várias coisas interessantes que ela disse, naquela palestra em particular, uma me chamou mais a atenção.
A palestra data dos anos 90 e ela fala de como a economia é baseado em um princípio básico, o da insatisfação. Sempre estamos querendo mais e mais, ter mais. Um carro? Não, cada um precisa ter o seu. Uma TV? Não, cada quarto o seu. Os desejos materiais são insaciáveis e disso se alimenta a economia atual, as pessoas sempre vão querer o novo iphone e depois o novo iphone e assim por diante. Uma das consequencias são os resíduos, o lixo produzido com tanto produto descartado (após a compra de um novo).
Ela continua, comentando que uma das formas das soluções para alguns problemas econômicos seriam as pessoas trabalharem menos horas. Assim, outros também podem ter empregos. Na Índia, por uma questão de tamanho da população é mais ou menos assim. E com o restante das horas livres as pessoas produziriam itens feitos à mão.
A relação de um trabalho artesanal é quase como um hobby, ou seja, uma terapia. Reduz o nosso stress, minimiza os nossos pensamentos, dedicamos mais que atenção a um trabalho artesanal e, esses, normalmente são duráveis. Dificilmente jogamos fora algo feito a mão para comprar outro que foi lançado agora.
Achei muito interessante a palestra e acredito nisso. O nosso consumismo desenfreado associado a itens descartáveis gera uma série de problemas. Hoje enxergo muito mais valor em algo feito com dedicação, com tempo, com amor. São presentes muito mais legais e duram mais! Vejo os itens que minha mãe ainda usa que eram da mãe dela, ainda cumprem o seu propósito e possuem uma estética que hoje não se faz com máquinas.
Vemos isso aqui na Carbono Zero, ciclistas que possuem bicicletas mais antigas, feitas de material mais pesado, mas que não trocam pelas modernas, com suas peças que duram pouquíssimo tempo e com baixa resistência. Vejo mais negócios surgindo com a premissa de que vender produtos que duram não significa ter menos lucro.
Espero que a era desses duráveis volte para ficar.
Um abraço,
Rafael

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