Pare de reclamar! A frase que fez uma empresa valer US$ 3,3 bi

Daniel Fernandes

18 de julho de 2014 | 07h46


Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper
A situação é sempre a mesma. Você pega o elevador rumo ao subsolo onde está seu carro. Mas passando pelo piso térreo, o elevador para e abre as portas.  Um rosto meio sem graça aparece e pergunta: “Ah… tá descendo, né?”.  Você solta um grunhido parecido com o que os seus olhos já tinham respondido.
Por que há tantas pessoas que apertam o botão “descer” quando, na verdade, querem subir? E por que continuam fazendo isso? Como chamar uma pessoa que faz a mesma coisa esperando resultado diferente?
E isso não é valido apenas para os elevadores, mas também para suas trajetórias de vida.
Quantas pessoas querem pegar o elevador do estudo? Quando Thai Nghia chegou no Brasil em 1979, fugido do seu país, ele tinha ficado a deriva no oceano e havia sido regatado por um navio da Petrobrás. Thai não falava português e ainda não havia dicionário Vietnamita-Português para ele sequer se comunicar.
A primeira coisa que decidiu fazer foi criar o tal dicionário já que talvez outra pessoa precisasse mais do que ele. Aprendeu a língua portuguesa sozinho e cinco anos depois já tinha ingressado na USP e trabalhava em um importante banco brasileiro. Nesta época, emprestou dinheiro para um amigo fabricar bolsas e ele não conseguiu pagar o dinheiro devido. Para reavê-lo, Thai passou a vender as bolsas durante o dia, trabalhando no banco à noite. Ganhava mais dinheiro com as bolsas e decidiu abrir um negócio. Chamou a empresa de Yepp e depois mudou para Góoc, uma das marcas brasileiras pioneiras a tratar a sustentabilidade com seriedade e convicção.
Quantas pessoas estão esperando o elevador da perda de peso? Em 1961, a dona de casa Jean Nidetch tinha 38 anos, media 1,75 metro e pesava quase 97 quilos. Então, ela notou que não somente ela, mas todos a sua volta estavam obesos. Jean começou um regime e algumas semanas depois reuniu seis amigas “gordas” para anunciar que ela tinha perdido 18 quilos. E as desafiou a seguir seu programa de regime. O grupo começou a se reunir periodicamente para relatar os avanços e em poucos meses todas perderam peso. A própria Jean atingiu 64 quilos um ano depois. Percebendo que tinha uma grande oportunidade de negócio, fundou a Vigilantes do Peso, uma empresa que vale US$ 3,3 bilhões atualmente, com ações negociadas na Bolsa de Nova York.
Quantas pessoas aguardam o elevador do emprego melhor? Após diversas tentativas, Walter Elias, desistiu de encontrar o emprego dos seus sonhos. As empresas achavam que ele não tinha talento suficiente e não tinha potencial para avançar na carreira. Cansado, ele se juntou a um amigo e criou uma empresa para explorar seu dom artístico. Só um detalhe, o sobrenome de Walter era Disney e o resto da história você conhece.
Quantas pessoas ficam apertando o botão “reclamar” para chamar o elevador de um mundo melhor? O alemão Peter Eigen parou de reclamar em 1993, quando co-fundou a ONG Transparência Internacional, que monitora e divulga o nível de corrupção nos países. Agora, outros reclamam por ele. Graças ao ranking da corrupção mundial da Transparência, em 2013, as populações da Dinamarca e Nova Zelândia, países menos corruptos do mundo, podem reclamar das razões de suas nações terem tirado nota 9,1 e não 10. E no Brasil, a população nem sabe que a nota do País foi 4,2…
Há outros milhões de botões que estão sendo apertados neste momento. Mas enquanto estas pessoas continuarem apertando o botão “descer”, continuarão onde estão.
Quer subir na vida mas o elevador está demorando? Vá de escada!

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