Os melhores professores não ensinam. É você que aprende!

Daniel Fernandes

09 de outubro de 2015 | 07h16

Uma das atividades mais nobres do ser humano é contribuir para que as pessoas atinjam seu pleno potencial. Este é o objetivo dos melhores professores. Se você teve um desses, com certeza se lembrará dele(a) e o(a) agradecerá neste momento.

Mas um dos provérbios chineses mais conhecidos lembra que os “professores abrem as portas, mas é você que decide entrar por si mesmo”. É esta frase que está gravada na entrada da faculdade de engenharia da Universidade de Stanford. Isto talvez explique como a universidade têm tantos professores excelentes comprometidos com o sucesso dos seus alunos.
Em 1939, Frederick Terman era professor de engenharia quando decidiu ajudar dois dos seus melhores alunos a criar um negócio. Não era comum abrir seu negócio naquele momento, mas Terman apostava no potencial dos seus pupilos a ponto de investir 538 dólares do seu próprio bolso na empresa criada por Bill Hewlett e Dave Packard. Não era só a HP que o professor ajudou a criar, mas todo o Vale do Silício, como é conhecida a região atualmente.
Anos depois, Frank Shallenberger, professor da escola de negócios decidiu criar um dos primeiros cursos de empreendedorismo do mundo. O resultado do seu trabalho praticamente foi responsável pela criação de uma nova escola. Um dos seus alunos, após formado, decidiu colocar em prática o projeto que tinha desenvolvido na faculdade. A ideia era ousada e inédita: Criar uma empresa de calçados esportivos nos Estados Unidos. Em 1964, as poucas opções fabricadas no país eram de péssima qualidade e os melhores produtos eram importados da Alemanha. O trabalho de conclusão de curso de Phil Knight era competir com os tênis de corrida alemães. Sob a orientação de Shallenberger, nascia naquele ano a Blue Ribbon, que depois se tornou a Nike. Já bilionário, Phil Knight retornou à Universidade de Stanford em 2006 para doar US$ 105 milhões que foram usados na construção de um prédio novo para a escola de negócios.
Mas nenhum outro professor no mundo tenha alcançado o patamar de David Cheriton, professor de computação de Stanford. Em 1988, não só orientou dois alunos de doutorado como também investiu US$ 100 mil para que eles transformassem a pesquisa em um novo negócio. Seus alunos eram Larry Page e Sergey Brin e a empresa criada recebeu o curioso nome de Google. Atualmente o Professor Cheriton tem uma fortuna estimada em US$ 3,6 bilhões, mas continua trabalhando como professor quase 10 horas por dia, contribuindo para que seus alunos atinjam potenciais.
Mas não precisa ser alguém associado a uma instituição de ensino para ser professor. O melhor professor de Mark Zuckerberg, co-fundador do Facebook, foi Edward, que curiosamente, tinha o mesmo sobrenome, afinal ele é o seu pai. Ciente de que a tecnologia digital iria ser onipresente no futuro, mesmo sendo dentista, o Dr. Edward começou a ensinar programação ao filho quando Mark tinha cinco anos. Parece que o garoto tinha mesmo potencial.
Mas talvez ninguém tenha tido melhores professores do que Steve Jobs. Com seu pai, Paul Jobs, aprendeu a fabricar objetos e ser obcecado pela perfeição, mesmo que ninguém esteja olhando. Com Lloyd Reynolds, professor de caligrafia da Reed College, entendeu o papel do design na criação de experiências sensoriais e emocionais. Mas foi com o monge zen-budista Kōbun Chino Otogawa que Jobs aprendeu a usar todo o seu potencial criativo.  “Quando todos os professores já não estiverem presentes, quem será o seu professor?” – perguntou, certa vez, Kōbun. “Tudo…” – responde o discípulo. Kōbun, dá uma pausa e então responde: “Não… você será o seu professor!
Assim, no final, descobrirá que os melhores professores não ensinam. É você que aprende! Os melhores professores só abrem as melhores portas para você.
Marcelo Nakagawa é diretor de Empreendedorismo da FIAP e docente do Insper (e dedica este texto ao seu professor Guilherme Ary Plonski)

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