Os livros sobre negócios consultados por Abilio Diniz, Jorge Gerdau e outros empreendedores

Daniel Fernandes

15 de março de 2013 | 07h46

Qual livro serve de inspiração para Abilio Diniz?

Nesta semana, meus colegas empreendedores do Blog do Empreendedor trouxeram mais novas perspectivas daquilo que é mais valioso para o empreendedor: a evolução dos seus aprendizados. Pedro Chiamulera da ClearSale e Adriane Silveira falaram das diferentes perspectivas do cliente, Renato Steinberg discutiu a importância do desenvolvimento das suas redes de relacionamento e Juliana Motter, da Maria Brigadeiro, do seu desafio em gerenciar o estoque.
Lembrando o que o meu professor de cálculo sempre perguntava para a classe (Vocês estão acompanhando ou perseguindo?), empreendedores precisam estar sempre acompanhando a sua empresa e o seu mercado (nunca perseguindo e também não chegando cedo demais) e por esta razão o aprendizado contínuo nem deve fazer parte do seu trabalho, mas parte da sua razão de viver. E uma das questões que me intriga é como os empreendedores aprendem?
Uma das alternativas que percebo que funciona é o mentoring, um dos pilares da Endeavor e da Artemísia, duas instituições de empreendedorismo em que tenho uma participação mais ativa. Mas este tema já foi tratado anteriormente neste blog. É claro que o sucesso do mentoring depende do mentor e da pessoa que recebe a mentoria.
Outro detalhe que acredito que contribui para o aprendizado do empreendedor é reconhecer que ele(a) pode não ser a pessoa que terá o melhor perfil para ser o “empreendedor” e o “gestor” do negócio. Neste contexto, outra colocação que não me esqueço foi dita pelo Jae Ho Lee, fundador do Grupo Ornatus que reúne marcas como Morana e Baloné.
Mesmo sendo graduado e pós-graduação em Administração e Marketing, ele disse que era o “empreendedor” do negócio e não o seu “gestor”. Tinha competência e era motivado por vislumbrar novas oportunidades, planejar o crescimento dos seus negócios, mas não era um bom administrador. Esta humildade e sabedoria abre espaço para que ele contrate pessoas “melhores que ele” na gestão de negócios.
A lista sobre como os empreendedores aprendem é muito ampla, mas a leitura de livros também está nesta lista. Alguns empreendedores até se “orgulham” de não terem lido nenhum livro que contribuísse para o desenvolvimento do seu negócio, mas outros não escondem de onde tiraram parte da sua sabedoria para administrar melhor seus negócios.
Abilio Diniz, do Pão de Açúcar, fala com admiração sobre as ideias de Jim Collins e seus livros, incluindo ‘Feitas para Durar’ e ‘Good to Great’. Assim como Marcel Telles, da AB-Inbev, já comentou em mais de uma oportunidade sobre o livro ‘Double your profits in six months or less’ do consultor Bob Fifer.
Meyer Nigri, da Tecnisa, cita o livro ‘A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen’, do filósofo alemão Eugen Herrigel, como um dos seus favoritos e Jorge Gerdau até gravou um vídeo para falar sobre o livro ‘O Verdadeiro Poder’, escrito pelo Vicente Falconi. O aprendizado pela leitura vale para os gigantes e para os que estão a caminho.
Juliana Motter da Maria Brigadeiro já falou do livro ‘Se você não tem bunda, use laços no cabelo’, co-escrito pela agora “muito famosa” empreendedora Barbara Corcoran, uma das estrelas da série de TV Shark Tank, que vem arrastando uma multidão de empreendedores (ou não) para a frente da televisão (e do youtube) e ‘Meu jeito de fazer negócios’, lançado pela Anita Roddick, pioneira em negócios sustentáveis.
Leila Velez, empreendedora da rede de institutos de “autoestima” Beleza Natural, é fã do Tony Hsieh, co-fundador da Zappos.com e autor do livro ‘Satisfação Garantida – No Caminho do Lucro e da Paixão’. Assim, sempre peço dicas de livros para empreendedores. É uma boa oportunidade para aprender um pouco mais sobre eles e como aprenderam a empreender. Mas na semana passada, tive um novo aprendizado com o Altino Cristofoletti, fundador da Casa do Construtor, quando ele palestrou em uma das minhas aulas. Ele não só apresentou o livro que está ajudando-o a administrar sua empresa, como também explicou como aplica a técnica no seu dia-a-dia. E a novidade para mim: como ele pegou o conhecimento e o modificou para a sua realidade.
O livro ‘Business Model Generation’, co-escrito por Alexander Osterwalder, já é um best-seller na área de negócios em vários países. Já conhecia o livro desde o tempo em que era apenas uma tese de doutorado. Gosto e utilizo-o em minhas aulas, mas sei que apesar de muito bom, também tinha suas limitações. Muita gente não percebe, o Business Model Canvas padece do Mal do Vicente Feola (ou da sabedoria do Mané Garrincha) sobre planejar tudo e “não combinar com os russos”. Não é que o modelo utilizado pelo Altino também incluía as forças da indústria, forças do mercado, tendências macro econômicas e tendências-chave?
Nada melhor do que uma boa prática que ajuda a avançar uma boa teoria!

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