Os impostos contra todos

Daniel Fernandes

04 de fevereiro de 2016 | 06h51

É totalmente ingênuo ter que ficar batendo na mesma tecla dia após dia, eu sei. Mas tem um assunto que precisa ser repetido e revisto tantas vezes quanto possível. É claro que estou falando dos impostos.
Os impostos são parte inevitável de nossa vida em sociedade, de nosso papel cívico. São um compromisso ético de contribuir para o bem comum (em tese), a estrutura de gestão pública, a administração desta grande complexidade que é um país. Benjamin Franklin disse uma vez que nada é certo neste mundo, a não ser a morte e os impostos.
Eu acredito que se engana quem pensa que o aumento de impostos penaliza aos ricos (estes são, provavelmente, os menos afetados). As maiores vítimas, na minha opinião, são da classe média para baixo. É simples: é uma relação entre o que entregamos de dinheiro e os serviços públicos que recebemos em troca. Pergunta: você está atualmente satisfeito com essa troca? Acho que todos concordamos com a resposta.
Para relembrar, no meu texto de setembro passado fiz uma provocação, convidando o consumidor a não compactuar com a sonegação, pois isso significa menos arrecadação, menos dinheiro público. Também fiz um convite ao empresário sonegador de parar de “guardar” para si próprio o imposto sonegado – deixar de ser parte do problema, e passasse a fazer parte da solução. E também me atrevi a indicar que a maior responsabilidade, afinal, é do governo – municipal, estadual ou federal – que é o administrador dessa coisa toda, e refletindo se o aumento de impostos confirmaria a tal da curva de Laffer , teoria dos anos 1970 que afirma que elevação de impostos traz menos arrecadação. Claro que ninguém deu bola.
E nesta semana, para indignação geral, o governo mais uma vez escolhe o caminho do bruto: já anunciaram para maio novos tributos sobre o chocolate, sorvete (sorvete!?) e ração de cães e gatos, entre outros. E a CPMF pode voltar com força total. Taxativamente, estamos ferrados, sem trocadilho.
O assunto me voltou na memória ontem, quando li num site argentino uma notícia que afirma que a diminuição radical de tributos do novo governo no país vizinho trouxe o efeito imediato de uma maior arrecadação. Será que os Hermanos estão comprovando os efeitos práticos da redução de impostos da curva de Laffer?
Já no Brasil, a avaliação mais perspicaz que eu vi sobre o aumento de impostos foi do Prof. Leandro Karnal, que lacrou o assunto na TV Cultura. Destaco em especial a genial comparação que fez do governo com um junky “como vou aumentar a mesada de um filho que está usando o dinheiro para drogas?” Significando o óbvio: quanto mais o governo arrecada, mais ele gasta – e não necessariamente melhor. Vamos rir para não chorar.
Para temperar este cenário já trágico, temos a tal da crise que está devastando poupanças e a liquidez de pessoa fisica e jurídica pelo Brasil afora. A crise afeta diretamente milhares de pessoas de cima a baixo: os demitidos deixando de contribuir, e também deixando de consumir; profissionais liberais ganhando menos e contribuindo menos; empresas vendendo menos, ganhando menos e contribuindo menos.
E mesmo assim, o governo quer aumentar os impostos… parece um tanto suicida. Mas quem morre somos nós.
Ivan Primo Bornes – o masseiro do Pastificio Primo fica até tarde fazendo contas de como pagar o aumento da farinha.
 

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