Os bastidores do franchising em tempos de pandemia

Os bastidores do franchising em tempos de pandemia

Há muita gente profissional e competente envolvida no franchising, ao lado de números acima da catástrofe da crise, mas é preciso saber escolher franqueados e franqueadores; informação é o maior patrimônio

Ana Vecchi

18 de março de 2021 | 16h15

Já comentei os números do franchising em 2020, que por inúmeros anos esteve acima do PIB brasileiro e, pela primeira vez, dois dígitos abaixo de um PIB negativo. O varejo, forte no franchising, é um celeiro de geração de empregos e que, também, despencou em postos de trabalho, devido aos lockdowns e tudo o mais que já sabemos. Porém, o velho ditado diz que há quem chore e quem vende lenços. Houve quem perdeu e quem ganhou, muito, pouco ou tudo, nos dois casos.

Crises fortalecem o franchising: novos players, boom nas microfranquias, surgimento de empreendedores na queda de empregos, ainda que a mentalidade e o índice de confiança do consumidor se mostrem abaixo das iniciativas empresariais.

Algumas taxas de juros estimulam abrir franquias a deixar o dinheiro guardado no banco. O lado bom é que o mercado de repasse de marcas e PDVs de franquias ressurge com força, como opção na análise de oportunidades de negócios e planejamento em cima de um histórico existente.

Cabem algumas ressalvas aqui, ok? Adequações são fundamentais ao cenário atual. Este “atual” é atemporal, é sempre. Ontem já não é atual, ao olharmos os números. Planejamento não é linear, nem uma reta igual para sempre. Hoje, nem a curto prazo, diante de tantos altos e baixos, torna-se impossível não adequar ou repensar processos! De vida, familiar, local e nacional, empresarial ou profissional.

Investir em uma franquia significa mudar o modus operandi de toda uma família. Dependendo de quem estamos falando, muda toda uma vida planejada, independentemente de pandemia e tempos de crise.

Comércio fechado em São Paulo, em decorrência da pandemia do coronavírus. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Quais bastidores atuais devem ser questionados e analisados ao resolver vivenciar o ecossistema do franchising, como oportunidade de empreender em uma franquia de sucesso:

  • Que adaptações foram feitas no último ano? Como era o negócio e no que se transformou? Se não mudou nada, a que se deve?
  • Com que canais de vendas a franquia atua e como os franqueados estão integrados a eles? São remunerados em todos os canais que vendem em seus territórios de atuação?
  • Houve alteração nas planilhas (DRE) cujo ROI retrata uma projeção dentro do cenário de 2019/2020 e 2021 ou apenas em cima do histórico até 2019?

– Como se 2020 não tivesse existido, por mais que quiséssemos que tivesse sido o oposto do que foi, mas ele faz parte.

– Há que se considerar o panorama como um todo e um futuro ainda incerto para muitas marcas. Há as que estão fora da caixinha e venderam acima da média. Além das que se preparam para a 2ª onda e novos tempos, adaptaram-se pois já tinham um novo mindset e estavam no caminhos de novos processos. Deu tempo!

– O foco da franqueadora está na revenda de produtos aos franqueados ou a um sistema de gestão de negócio que inclui a venda de produtos? Objetiva a compra do consumidor ou a experiência dele com a marca? Isso rende, pelo menos, 1 dia de conversa.

  • Franquia nova é diferente de repasse. Portanto, por mais que os documentos jurídicos de franquias devem manter um padrão, importante que retratem a realidade de cada tipo de negócio.

– Se é para desconsiderar cláusulas, não há por que um franqueado assinar um contrato que, depois, não sabemos quais serão consideradas ou descartadas pelo franqueador.

– A lei de franquias já está na sua 2ª versão – 13.966/19, que entrou em vigor em 2020 mas, franqueadoras já tinham tido acesso. Como não atualizar contratos cuja Lei passou a disciplinar o Sistema de Franquia e não mais apenas os contratos de franquias?

Os bastidores do franchising nos trazem grandes experiências, gente muito profissional, competente e responsável. Há números que estão acima da catástrofe anunciada, dependendo de uma série de fatores. Há comitês e conselhos de franqueados colaborando, de forma primorosa, com seus franqueadores, gente que veio para fazer a diferença, enfrentar os altos e baixos impostos a todos.
Mas, como tudo na vida, temos que saber escolher.

Informação é o maior patrimônio que devemos conquistar e cada um de nós tem sua parcela de responsabilidade. Diga-me com quem andas que te direi quem és – velho pra caramba, mas atual e atemporal!

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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