Onde o funcionário tem mais voz: na grande ou na pequena empresa?

Daniel Fernandes

25 de novembro de 2014 | 06h38

Bruno e Juliano Mendes escrevem toda terça-feira
No começo da semana passada, tivemos a honra de participar como palestrantes da edição blumenauense da Semana Global de Empreendedorismo. Em certo ponto, começamos a argumentar os motivos que nos levaram a trabalhar por tão pouco tempo, pouco menos de um ano, como colaboradores do Grupo Schincariol, logo após vendermos a Cervejaria Eisenbahn para eles, em 2008.
Tivemos dificuldade para lidar com os trâmites de uma empresa onde tudo precisa ser analisado e aprovado por diretores, gerentes, etc. Quando você tem uma pequena empresa, pode tocar as coisas da maneira que acredita ser melhor, sem delongas.
Então, um jovem na plateia nos pegou de surpresa com uma pergunta simples: “como funciona isso nas empresas de vocês?”. Começamos a nos questionar, revelando ali mesmo, diante de todos, nossas dúvidas. Será que damos espaço e liberdade para nossos funcionários serem criativos e pró-ativos? Será que permitimos que eles tenham o máximo de agilidade? Será que os deixamos tomar decisões sem que antes tenham que nos consultar?
Um empreendedor normalmente tem opiniões firmes, sabe exatamente o que quer e como quer. É algo intrínseco ao perfil empreendedor. O problema é que, desse jeito, muitas vezes ele acaba deixando de ouvir boas ideias, de abrir espaço para os funcionários debaterem e revelarem todo seu potencial. Numa grande empresa, apesar de as decisões serem mais longas e demoradas, as pessoas tendem a ter mais voz e mais poder de decisão.
O equilíbrio é, como sempre, o melhor caminho. Percebemos, depois de tantos anos empreendendo, que a experiência (ou seja, a idade) vai nos deixando menos ansiosos, mais flexíveis, e acabamos ouvindo mais os outros. Lembramos da época da Eisenbahn: éramos jovens e bastante certos das nossas posições. Queríamos resolver tudo do nosso jeito. Aos poucos, e cada vez mais, vamos aprendendo: nem sempre estamos certos. Que bom, para nós, para quem trabalha aqui com a gente e para a perenidade do negócio!

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