Olhe mais para seu interior

Daniel Fernandes

19 de março de 2014 | 07h37

Leo Spigariol (direita) escreve toda quarta-feira.
Sair de São Paulo e montar a empresa no interior, acho que, no fundo, é o sonho de muitos empreendedores, que estão cansados da impessoalidade dos grandes centros e procura conciliar vida tranquila e negócios. Mas quem disse que empreendedor vive uma vida tranquila?
Empreender, no Brasil, é literalmente um negócio à parte. E, se a atividade for longe das capitais, nem se fale.
Coisas básicas, como fornecimento de energia e internet rápida, são luxo longe dos grandes centros urbanos. E quando você sente isso na pele, sente saudades da eficiência da capital – ainda que no Brasil, isso seja uma meia-verdade.
Outro dia, conversando com uma amiga e proprietária de uma grande empresa em Bauru (repito: em Bauru, uma cidade que, segundo a pesquisa do IBGE, em 2009, possuía aproximadamente 360 mil habitantes), era necessário ter, em sua fábrica, um gerador à gás, pois o fornecimento de energia não era constante.
E sabe o que é mais assustador? É que 95% da produção dessa empresa é para exportação. Então, imagine que, além de gerar emprego, agregar valor ao produto e trazer divisas ao país, ela precisa constantemente gerar sua própria energia.
Mas não estou aqui para lamentar sobre infraestrutura e sim falar das vantagens do chamado “interior” – ou aquele lugar supostamente idílico que todos nós esperamos encontrar um dia.
Sobre a vida nesse ‘interior’, você pode ter certeza: nada melhor do que poder almoçar em casa, sem stress, ou sair de casa para trabalhar e não sofrer com locomoção precária e desgastante. Poder ir a pé para o trabalho? E o melhor de tudo é que esse conforto é acessível a todos, como ocorre em nossa fábrica, e não somente restrito à gerência ou diretoria.
Se tivesse que definir, de uma única forma, a diferença entre empreender na capital e no interior, eu diria: menos stress. E isso ajuda muito. Por aqui, as pessoas são menos hiperestimuladas e há uma sensação de uma coletividade mais integrada.
Estando as pessoas então mais próximas, há também uma menor insatisfação com a comunidade. Vejo que hoje a descentralização econômica e política nas grandes capitais é pra lá de necessária. Principalmente para levarmos o desenvolvimento constante ao interior, gerando novas oportunidades para nosso país.
Enfim, não sou o primeiro e nem o último a dizer isso. Tomando carona nesse tema, ressalto que a capacitação e melhoria técnica, para melhorarmos produtividade, é o grande desafio para o chamado “interior”, pois, mesmo conectados e sem fronteiras da era digital, por aqui isso ainda faz falta e é um divisor entre capital e interior. Mas mesmo assim, vale a pena. Pode acreditar.

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