O sistema de entregas mais eficiente do mundo é o de marmitas na Índia

Daniel Fernandes

17 de setembro de 2014 | 18h51

Rafael Mambretti é empreendedor
Dabbawallas. Se esse nome não traz nenhuma lembrança para você, então, talvez você deva continuar lendo esse artigo e, se interessar, pesquisar mais sobre o tema.
Imagine que você é uma das maiores empresas de logística do mundo – ou até mesmo de outros segmentos, como por exemplo a General Electric – e um punhado de pessoas que entregam marmitas diariamente na cidade de Bombai (como os indianos preferem, o nome original) ou Mumbai (nome dado pelos ingleses na época da colonização) têm um índice de erro menor que o seu.
Estamos falando de um índice que, a cada 16 milhões de entregas uma. Isso mesmo, uma, dá errado. Ainda não está convencido de que vale “perder seu tempo” com esse artigo ou pesquisando sobre o tema? Pois bem.
Imagine agora que 98% das 200 mil entregas diárias são feitas on time, ou seja, no prazo combinado. Eu sei que os índices da Carbono Zero Courier não são ruins, mas também não chegam próximos a esse (temos muito que evoluir e isso é bom).
Vou confessar que já tinha ouvido falar nos Dabbawallas e que poderia (não só por trabalhar em uma empresa de entregas) aprender muito com esse benchmark. Porém, foi só até vir até a Índia e ver de perto que tive o estalo de que eu precisava (obrigatório!) estudar sobre esse sistema.
Eles funcionam (mais ou menos) como uma cooperativa, organização horizontal, são todos empreendedores e possuem participação igual no todo. A cada 20,30 pessoas (dependendo da demanda da região), há um time líder.
Estamos falando de um serviço que existe a mais de 140 anos. Os cooperados possuem uma média de idade de 52 anos e normalmente a função se passa de pai para filho. E sim, eles usam a bicicleta também. Em um tempo onde se fala em aplicativos, os Dabbawallas mostram que eficiência não demanda tecnologia.
Um abraço, Rafael

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