O segredo sobre conduzir e formar pessoas

Daniel Fernandes

19 de novembro de 2014 | 06h42

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira
Constantemente, penso sobre a importância de saber conduzir e formar pessoas. Esse tema talvez seja um dos mais nebulosos e insertos dos temas lecionados nas boas universidades.
Capital humano?
Gente certamente não é número e tem uma peculiaridade tão instável quanto as intempéries na cidade de São Paulo (acorda-se no inverno para terminar o dia no verão, após curtir a primavera e o outono durante o intervalo que compõe o que chamamos dia).
Pessoas são um mar de vontades e desejos esperando ser realizados ou esquecidos num piscar de olhos. Como lidar com isso? A habilidade para formar pessoas está diretamente ligada a sua capacidade de inspirar e motivar sua equipe, e claro, se aproximar de seus pupilos.
No dia a dia de uma empresa, a rádio peão sempre vai existir, em maior ou menor grau, mas a capacidade de se aproximar de cada um dos integrantes de sua equipe, de maneira única, é a melhor forma de reduzir a distância e minimizar ruídos que, de modo geral, atrapalham o desempenho de seu negócio. Foi-se o tempo em que, para liderar, bastava ter energia física para chicotear seus escravos.
Nos dias de hoje, virilidade e brutalidade estão sendo substituídas pelas habilidades intelectuais, emocionais e criativas. O líder atual precisa saber liberar a energia mental de sua equipe e transformá-la em ideias viáveis, projetos planejados. Não mais com a mão no chicote, mas com muitos bons exemplos e diálogo. Inspirando-os. Talvez seja por isso que as mulheres estão cada vez mais assumindo a liderança em empresas.
Com uma capacidade de ouvir ímpar e intuição aguçada, as mulheres possuem sensibilidade para envolver e motivar equipe de uma forma emotiva e cativante. Homens, vocês têm muitas coisas a aprender com elas.
Mas há exceções.
Tenho alguns amigos empresários que me inspiram – e me ensinam – pela forma de criar um conexão próxima com a equipe. Trabalham as relações de modo que aquela linha tênue entre patrão e empregado deixa de existir e torna-se amizade e respeito. Nessa esfera, criam-se relações duradouras, equipes com desempenho maior e uma cumplicidade que vale mais do que qualquer valor na conta bancária. Um dia quero conseguir alcançar tal habilidade como alguns amigo que tenho e convivo, como o Daniel Bettin, que em meia hora de papo é capaz de contar histórias de funcionários e parceiros que negócios que misturam amizade e o profissionalismo de forma admirável.
Para exercer liderança é necessário compreender o outro e as filigranas que compõem cada indivíduo. Domenico de Masi, sociólogo italiano contemporâneo, já alertava, nos anos dois mil, sobre as mudanças na forma de trabalho e suas nuanças e paradigmas. Para quem não conhece, vale a leitura, sobretudo o “Ócio Criativo” (Sextante, 2000) e “O Futuro Chegou” (Casa da Palavra, 2014), este lançado recentemente no Brasil.
Para você que é patrão, por mais que seja difícil, tente se aproximar de sua equipe. Crie uma legião de leais escudeiros. Assim você conseguirá atravessar as grandes guerras de forma mais fácil e com menor número de baixas. E para você que é funcionário, patrão não é inimigo não. Trabalhar não é um grande sacrifício. O trabalho não é coisa do diabo. Se você acha isso está na hora de repensar sua vida. Seja honesto com você.
 

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