O saldo do carnaval no franchising

O saldo do carnaval no franchising

Não há necessidade de ser mais inovador e criativo do que uma rede franqueada fazer o básico. Com isso, a gente volta mais vezes e anda no meio da muvuca para garantir uma boa experiência de compra

Ana Vecchi

28 de fevereiro de 2020 | 17h51

Na época da última Olimpíada, houve uma demanda muito grande sobre como preparar as equipes das franquias para atender os estrangeiros que viriam. Da noite para o dia, atendentes e vendedores teriam que passar a falar dois idiomas, quando, em alguns setores, o português já era sofrível.

No carnaval não se toca no assunto, como se o Brasil não recebesse milhares de estrangeiros que chegam em busca de grandes momentos de diversão e de conhecer a nossa cultura, tão plural, acolhedora e formada por diversas origens.

Todos nós vivenciamos os serviços, ao longo da última semana, de um carnaval planejado e aguardado com sentimentos positivos e pensamentos otimistas, mesmo para quem não gosta do feriado (algo como “tomara que seja melhor que o ano passado”). Nos resta saber quanto as marcas se prepararam para atender esse mundo de gente que saiu às ruas para consumir e, antes dos quatro dias de festa, se abasteceu comprando fantasias, abadás, roupas leves e seus agregados, como acessórios, e encheu a despensa porque receberiam várias pessoas em casa.

O varejo, de forma geral, não teve a performance e o resultado esperado. Há quem se queixe e, também, os que operaram bem e com bons números. Mas no carnaval não podemos negar a oportunidade de vender mais, mostrar as marcas ao mercado externo, surpreender novos clientes e aqueles que já são fiéis.

O Bloco da Preta levou cerca de meio milhão de pessoas ao Centro do Rio de Janeiro. Foto: Fernando Maia-Riotur

Há sempre os que se mostram despreparados para o aumento de movimento, para a falta de funcionários – porque é lógico que rola uma greve de transporte público em algumas cidades em plena sexta ou sábado -, para a não entrega ou atraso de algum fornecedor e uma lista de justificativas de problemas.

Parabéns aos que performaram com excelência ou qualidade acima da média, ainda que esta seja uma premissa básica ao se abrir um negócio. Maravilhosa a experiência de compras por e-commerce e os produtos entregues no dia e hora marcados, já que ter chovido muito seria uma desculpa perfeita para que isso não acontecesse! Voos não cancelados também contam pontos. Muitos pontos, na verdade.

Nas redes de franquias, saber que se parássemos em determinada marca para comprar, seríamos atendidos com a mesma atenção, agilidade e sorriso, somado ao desejo daquele produto, nos tiraria a preocupação do “será que é bom mesmo?” do universo do desconhecido. A tão desejada experiência da compra, por demais alardeada por consultores, arquitetos e varejistas em geral, pode existir de uma forma tão simples quanto a descrita!

Não há necessidade de ser mais inovador e criativo que fazer uma rede franqueada fazer o básico como o descrito acima! E, com essa experiência, a gente volta mais e mais vezes, anda mais no meio da muvuca do carnaval para ter garantido um bom momento que vai do simples café, mate, cerveja ou milk-shake ao consumo do que há de mais caro e diferenciado. Tem carteira e bolso de todos os tamanhos!

A segurança dos clientes faz parte do pacote. Como na cerimônia do Oscar, quando choveu muito, tinha homens com rodos para levantar os toldos e a água não pesar sobre eles e não molhar as celebridades. Rodos usados no teto e não apenas no chão molhado é disruptivo, não é?

Agora, se teve uma coisa que me deixou sem entender nada foi que, em pleno sábado de carnaval, na praia, não consegui comprar um pacote sequer de biscoito Globo e nem tomar mate! Não passou um vendedor no pedaço. Igual ou pior que ir a Roma e não ver o Papa.

Paciência, não é uma rede de franquias…

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