O que você quer ser quando crescer? Os médicos querem trabalhar com comida, brinquedos e roupas

Daniel Fernandes

26 de setembro de 2014 | 07h14

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper
A filha de uma amiga minha quer fazer faculdade de jornalismo. Ainda não acabou o ensino médio, mas visitou uma redação e está quase decidida: quer ver seu nome assinando uma grande reportagem. Mas um amigo jornalista me ligou ontem me pedindo conselhos: quer largar o jornalismo e seguir sua paixão pessoal: cozinhar.
Mais precisamente, ele quer montar um negócio de produto único e com muitas variações como as temakerias, brigaderias ou loja de bolos caseiros. Achei a ideia bem interessante. Depois de ter conversado com ele, lembrei de um colega que já tinha aberto um negócio semelhante, de cupcakes, mas que tinha desistido e voltado para a área que tinha se formado, informática. Ele só seguiu o conselho de outro amigo que tinha sugerido que o mercado de TI estava pagando muito bem. Mas este amigo conselheiro, formado em engenharia de produção, largou seu emprego bem remunerado para empreender um negócio infantil, bem mais arriscado, principalmente para alguém que nem filhos tem.
Mas a filha de outra colega quer fazer faculdade medicina. Escolheu o curso porque viu um ranking de profissões e entendeu que médico ganhava bem. Por mais que sua mãe explicasse que deveria escolher algo que realmente gostasse, sua filha ainda continuava decidida pela medicina. Na hora em que ela comentava isso, lembrei de uma amiga médica que precisa trabalhar em vários lugares diferentes e, de vez em quando, assumir funções administrativas em um plano de saúde para ter uma remuneração descente. Esta amiga achava que estava na profissão errada. Gostava mesmo era de ser uma administradora pois lidava bem com números, metas e processos. Mas um dos meus melhores alunos do curso de administração, mesmo antes de estar formado, já tinha montado uma startup na área médica, intermediando demandas de pacientes e médicos.
E ainda tem a minha sobrinha e afilhada que talvez preste arquitetura para aproveitar sua aptidão em desenhar bem. Talvez ela nem tenha pesquisado quanto ganha um arquiteto em início de carreira ou mesmo está preocupada em assinar grandes projetos. Ela só quer fazer o que gosta.
Qual das três garotas está certa em sua decisão a respeito da faculdade a ser escolhida? A que quer ser reconhecida, a que quer ganhar dinheiro ou a que quer fazer o que gosta?
De certa forma, todos nós já tivemos este dilema no momento de escolher a faculdade. O que não temos consciência é que a vida sempre será feita de escolhas e isto vale para antes, durante e depois da faculdade.
Conheço jornalistas muito bem-sucedidos, mas também conheço a Juliana Motter, que largou a carreira de jornalista e escolheu criar a Maria Brigadeiro, a primeira e uma das mais bem-sucedidas brigaderias do País.
Há médicos de sucesso e outros que se formaram em medicina como Ricardo Sayon, fundador da RiHappy, Alberto Saraiva do Habib’s ou  Oskar Metsavaht, empreendedor da Osklen.
E por fim, há muitos arquitetos vitoriosos e o Cláudio Sassaki, bacharel em Arquitetura e Urbanismo pela USP, tendo sido aprovado em 1º lugar, que trabalhou em bancos de investimento como Goldman, Sachs e Credit Suisse e que escolheu fundar uma das mais prestigiadas e inovadoras empresas de educação do Brasil, a Geekie.
Para os que ainda estão indecisos na escolha da faculdade, encare-a como uma chave que abre as portas do futuro. E quando você a tiver finalmente na mão, descobrirá não precisará mais dela pois não há portas fechadas para quem sabe empreender o que gosta de fazer.

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