O que você pode fazer para evitar entrar em crise com o relógio

Daniel Fernandes

06 de fevereiro de 2013 | 09h33

Falta tempo para ser empreendedor?

Tempo. Como eu gostaria de ter um pouco mais desse ingrediente na minha cozinha. Me lembro de uma reportagem que participei, logo no começo da Maria Brigadeiro, na qual eu aparecia segurando um grande relógio, dizendo que conseguia gerenciar muito bem o meu tempo.
Pois é, con-se-gui-a. Cinco anos depois, aqui vai a errata: não consigo mais, ao contrário, vivo em crise com o relógio.
Por mais cedo que eu acorde e mais tarde que eu durma, estou sempre com a sensação de que não consegui cumprir minha agenda de trabalho. Essa falta de tempo crônica criou em mim reações defensivas. Quando tenho alguma coisa muito urgente para resolver, chego na loja na ponta do pé, tentando driblar a minha equipe e chegar incógnita na minha sala. Com sorte (e óculos bem escuros) às vezes consigo passar despercebida.
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Mas na maior parte das vezes sou interceptada no meio do caminho e me sentam ali mesmo, nas cadeiras do jardim, para despachar, às pressas, uma fila interminável de coisas. O dia geralmente acaba antes que eu consiga botar o pé na minha sala, o que significa que aquela e outras urgências acabam ficando para o dia seguinte, que já começa atrasado.
Na segunda-feira, a Claudia, do atendimento, me interfonou para passar uma ligação e me desejou “feliz 2013”. Fiquei arrasada quando ela me disse, da sala ao lado, que ainda não tínhamos nos encontrado este ano. Entendi que minha gestão de tempo estava pra lá de equivocada.
Parei tudo o que estava fazendo e me perguntei o que, afinal, deveria ser prioridade na minha  agenda, já que estava mais do que comprovado que eu nunca seria capaz de dar conta de tudo. Aproveitei o tal contexto de ano novo e fiz a minha resolução de  2013: dedicar mais tempo às pessoas do que aos processos, que não sei em que momento acabaram tomando o lugar ilegítimo de prioridade.
Desde então, meu exercício tem sido me reunir com as equipes e ouvir, sem pressa, o que elas têm a dizer. Essa proximidade com as pessoas tem sido quase terapêutica, tem me reconectado com o propósito de estar ali, 12, 14 horas por dia, coisa que relatório e planilha nenhum tem o poder de fazer.
E não tenho dúvida de que este tempo de qualidade que estamos construindo juntos tem sido igualmente motivador para todos. Não deve ser coincidência eu estar conseguindo chegar na minha sala sem ser sequestrada pelo caminho. Aquele senso de urgência que deixava as pessoas ansiosas perdeu força uma vez que todos sabem que terão espaço garantido na minha agenda. Fiz a minha escolha pelas pessoas, o que conscientemente me deixou em falta com os processos. Apesar de deixar tarefas por fazer e emails por responder, tenho chegado em casa com aquela sensação boa de dever cumprido. E não é que a Claudia já conseguiu fazer meu 2013 feliz?

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