O que um empreendedor na Índia pode ensinar aos brasileiros

Daniel Fernandes

17 de julho de 2014 | 06h48

Rafael Mambretti é empreendedor e escreve da Índia toda semana
Conheci Devendra Singh Parmar, ou Dave para simplificar, em uma visita ao sagrado Rio Ganges. Lá, ele contou um pouco de sua história e do que fazia. Por muitos anos, Dave trabalhou com mármore aqui na Índia, aprendeu tudo que tinha que aprender, depois passou para o ramo da construção e finalmente chegou ao seu empreendimento atual: a Ojaswini Infratech Pvt. Ltd.
No meu retorno a Delhi, contatei Dave e perguntei se ele gostaria de compartilhar seu conhecimento, mesmo que sendo para o público brasileiro; ele topou! Esse e outros posts tentarão trazer como é o dia a dia, a experiência, os desafio e as vantagens de ser um pequeno empresário na Índia.
Segunda-feira, 14 de Julho de 2014. São 7 da manhã, lá fora, 40º centígrados. Dentro da casa, 39º centígrados – ainda bem que existe ar-condicionado. Quem pode tem, quem não pode, assim que puder, terá um. Ar-condicionado, por causa do calor, é um grande mercado na Índia. Acordamos, Dave levará seus filhos na escola perto de sua casa. Depois, ele me sinaliza que iremos visitar o ‘site’, ou seja, o local onde sua empresa está construindo o primeiro de vários empreendimentos que marcam um novo rumo, tanto para Dave, quanto para a Ojaswini.
Trata-se de um condomínio residencial. Isso mesmo, desses que existem aos montes no Brasil e que começam (cada vez mais) a pipocar na Índia. O empreendimento fica a caminho de Jaipur, cerca de 220 quilômetros do local onde estamos. Jaipur é conhecida como a Cidade Rosa, uma das mais antigas do mundo. Antes mesmo de sairmos da cidade, encontramos o responsável pelo departamento de marketing da empresa, ele se junta a nós rumo ao ‘site’.
Antes mesmo de alcançarmos a metade da viagem, uma primeira parada para visitarmos um antigo amigo de Dave. Como acontece em muitos lugares na Índia, fomos bem recebidos e bem tratados. Chá e aperitivos indianos à vontade, praticamente um café da manhã. Ao sairmos, pergunto ao Dave o que o amigo dele faz, ele responde falando que ele é dono de várias terras ali na região. Retomamos a estrada, menos de uma hora depois e uma nova parada. Dave quer tirar fotos de uma região à beira estrada, disse que o lugar tem potencial para ser um futuro projeto.
Gostei do que ouvi, Dave já está pensando lá na frente, daqui três ou cinco anos, apesar de tanta coisa que é necessário ser feita no presente, é importante não negligenciar o futuro.Eu avisto um prédio rosa, no meio do nada, escrito “Builders Incorporation Pvt. Ltd”, imagino que ali seja o escritório de uma empresa que fornece mão de obra para construções. Para minha surpresa, cinco minutos depois Dave faz um retorno na estrada (a palavra correta seria, cria, pois os indianos no trânsito criam suas próprias vias e caminhos), e volta em direção ao prédio.
Novamente, ele disse que iria parar para visitar um velho amigo.Chá, conversas em Hindi e cerca de 45 minutos depois estamos rumo ao projeto. Questiono quem eram as pessoas com quem conversamos, Dave explica que eles são moradores da vila  e um deles (o que estava sentado na cadeira mais confortável e atrás da mesa) é o chefe do lugarejo. Eles, os moradores da vila, venderam parte da terra para uma empresa que fez uso, mas não pagou 100% do combinado. Resultado? Eles tomaram o prédio da empresa enquanto a companhia não paga. Simples não.
Surpreso? Espere até o próximo post, quando pretendo contar como foi uma das reuniões mais complicadas (e longas), que já presenciei.
Namastê,Rafael

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