O que pode atrapalhar o empreendedor? Seu coração mole!

Daniel Fernandes

14 de agosto de 2014 | 07h04

Na semana passada, iniciamos um post que relata a entrevista com um empreendedor indiano. Seu nome é Dave, sua vida profissional é empreender. Dave nunca foi funcionário antes, sempre buscou fazer as coisas ele mesmo. Desde empresa de segurança, investigação privada, até construtora, Dave compartilha sua experiência e aprendizados.
1) O que acha da economia da Índia e como ela afeta os seus projetos?
Aqui há uma necessidade para os nossos projetos. Por isso, é algo que, independentemente de qualquer coisa, a necessidade existe e existirá por um bom tempo. Por exemplo, o empreendimento de auto-socorro, a Help On Wheels. O custo para o cliente é baixo. O usuário paga cerca de 60 rupes (R$2) por mês. É como uma assinatura, paga mensal e quando precisar usa. Você junta um custo baixo com uma necessidade e terá clientes.
2) Como seus empreendimentos estão indo?
Estão indo bem. As receitas estão aumentando mês a mês para a Help On Wheels. Melhor do que eu esperava, principalmente na Ojaswini (empresa de compra de terrenos), os preços da terra tem aumentado, a demanda tem aumentado, o governo tem planejado bastante coisa para a região, o que aumenta o valor e a atratividade.
3) As metas têm sido atingidas? Como está o crescimento?
As metas têm sido atingidas. Estamos prevendo uma lucratividade 150% maior para 2014. Para o auto-socorro, o break even está previsto para três anos, mas a receita vem aumentando mês a mês. Iniciamos com cerca de 50 clientes e atualmente estamos com mais de 3 mil. Até o fim do primeiro ano, esperamos ter cerca de 40 mil clientes.
4) Os maiores erros que você cometeu?
Meus maiores erros foram (e são) na contratação de pessoas. Tenho um coração mole (risos), então às vezes não consigo me desfazer de profissionais que não estão rendendo e que acabam prejudicando o negócio. Já compramos terra para a construtora que não deu certo, não foi o que esperávamos. No primeiro projeto da Ojiswarini, subestimamos alguns pontos e não fizemos o nosso dever de casa. Por exemplo, não checamos os preços das terras em regiões próximas, não comparamos. Aprendemos bastante com isso, precisamos sempre checar por nós mesmos.
5) Que conselho você daria para quem começar a empreender, seja no Brasil, Índia ou qualquer lugar do planeta?
Primeiro aprender o ofício, ter experiência com o segmento que deseja empreender, paciência é fundamental para lidar com momentos difíceis, levará tempo mas valerá a pena. Determinação, trabalhar duro e honestidade. Não faça só pelo dinheiro, faça por algo mais. “Thumb rule” é o que dizemos para certas coisas aqui na Índia, significa algo universal, por exemplo, você sempre tranca seu carro quando sai dele. O mesmo se aplica aqui, acho que esses são conselhos universais, que não devem ter fronteiras para quem quer empreender.

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