O que os candidatos têm a oferecer para os empreendedores?

Daniel Fernandes

09 de outubro de 2014 | 06h00

Rafael Mambretti é proprietário da Carbono Zero Courier
Confesso não estar acompanhando muito de perto os planos de governo de nossos candidatos à presidência. Agora que entramos na reta final do 2º turno, resolvi dar uma olhada no que ambos falam sobre empreendedorismo.
Nas poucas matérias e artigos que falam especificamente sobre o tema, os candidatos abordam de forma superficial e sem muitos detalhes. Melhorar acesso ao financiamento, desburocratizar, sinergia das agências, inovação (palavra da moda no empreendedorismo), entre várias outras.
Dias atrás tive a oportunidade de participar de um workshop da Endeavor (a Carbono Zero Courier desde 2012 faz parte, quando entrou para o Programa Visão de Sucesso que seleciona empresas nacionais com capacidade de alto impacto na nossa sociedade), sobre acesso à financiamento.
Diversos empreendedores dos mais variados segmentos e momentos que suas empresas vivem, foram unânimes. Acesso a capital? No Brasil é praticamente inexistente, reforçado por um caso compartilhado de um colega empreendedor que foi para os Estados Unidos tentar e conseguiu esse acesso, e com mais de uma opção. Aqui? BNDES? Cartão BNDES? As instituições financeirs estão mais preocupadas em cobrar emissão de boleto do que facilitar o acesso ao crédito.
Não é difícil ver casos de gerentes bancários que só entram em contato com seus clientes empreendedores para vender produtos e não para conversar, orientar etc.
Bem, voltando aos candidatos, eles refletem o problema crônico em todas as esferas e variáveis do empreendedorismo brasileiro. Nos últimos anos o empreendedorismo ganhou notoridade, com o advento do termo start-up, de repente, todo mundo é empreendedor e tem uma start-up (de tecnologia normalmente),  e logo se vai associando empreender com tecnologia e inovação, que é o que vemos nos discuros e planos dos candidatos. Inovar não é só tecnologia, o Seu João que modifica o carrinho de pipoca dele ou seu processo de venda, de modo a aumentar sua capacidade produtiva também inova, mas que apoio ele tem do governo? Menos burocracia? Cartão BNDES? Qualificação gratuita? Aprendiz?
O papel fundamental que os micro, pequenos e médios empresários exercem na economia é sábido há anos. Os nossos futuros candidatos precisam entender que o nosso país, a nossa economia é um grande organismo vivo interligado e que, muitas vezes, priorizar somente uma coisa pode prejudicar o todo. Tipo aquela experiência de comer McDonalds todo o dia. Está na hora de parar de reduzir impostos para aumentar o consumo (IPVA para carros e eletrodomésticos), é preciso reduzir e simplificar impostos para melhorar a produção, estimular o desenvolvimento e crescimento, melhorar a atratividade para que o empreendedor permaneça empreendedor. Nenhum deles se quer fala em mexer nas leis trabalhistas, que são do século passado. Por exmeplo, a 40 anos atrás não existia o conceito do Home Office, hoje, muitas pessoas ao redor do mundo o praticam, como isso é visto pela Lei?
O plano de governo do Aécio, as diretrizes o empreendedorismo (especificamente), é tratado em uma página e meia das 76 do documento. O da Dilma não é diferente, as palavras são mais ou menos as mesmas, o que esperamos é a ação, pois palavras (promessas), em política é como água na chuva.
Boa sorte a nós brasileiros.
 

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