O que fazer quando a conta de energia chegou e está 34% maior?

Daniel Fernandes

25 de fevereiro de 2015 | 07h09

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira
Hoje comecei o dia com pensando em escrever sobre como é vender nossos molhos de pimenta em padarias, as famosas padocas, que, de forma tão única, fazem parte da rotina do dia-a-dia dos paulistano. Porém, hoje nos deparamos com uma rasteira anunciada há tempos: a conta de energia chegou 34% mais alta. Imagine você dormir e acordar com seu pé maior 34% do que o dia anterior.
Com certeza alguém vai comentar no post: como já havia sido anunciado o aumento, qual o motivo de tanto estardalhaço? Sim. Todavia, você só saberá o que realmente é ter um pé 34% maior quando o tiver 34% maior e nunca antes. Você pode até comprar um novo sapato com números maiores, no entanto, só conseguirá testar seu equilíbrio andando.
Enfim, até tento entender o argumento do governo de que os custos de energia elétrica estavam defasados e não compatíveis com a realidade, mas, sinceramente, como uma indústria que luta para conseguir crescer, superar as barreiras, entrar em grandes varejos, aumentar produtividade, gerar mais emprego e ampliar mercado consegue ter estímulo para continuar trilhando a prosperidade com solavancos como esse? Não temos o Eike nem o Lulinha em nosso quadro societário.
Em nossa empresa, todos os custos são cuidados na ponta do lápis, criteriosamente, para conseguirmos assegurar a nossa sanidade econômica. E você, empreendedor, sabe como esse mecanismo funciona. Conseguir reduzir o custo de uma embalagem, por exemplo, em 5% é uma grande vitória para equipe de compras. Melhorar o desempenho em 8% na produtividade e rendimento nas campanhas é sem dúvida um entrosamento de produção conquistado com tempo, inteligência e dedicação. Tais conquistas são frutos de um grande esforço coletivo, de uma equipe comprometida e engajada, cada qual em sua área, buscando desempenhar seu papel da melhor forma possível, muitas vezes ultrapassando limites individuais. Os 34% chegam como um grande balde de água fria. Ou, como um choque. Mais uma vez, o empresário brasileiro vai precisar ser criativo e achar formas de conseguir contornar.
Não sei você aí, na Avenida Paulista, mas aqui, em Santa Cruz do Rio Pardo, a infra-estrutura é sucateada. O fornecimento de energia está longe do medíocre. Quer um exemplo simples para medir isso? Todo santo dia eu preciso acertar o relógio do microondas em minha casa. Todo santo dia tem queda de energia por aqui.
Sempre fui um cara muito entusiasmado. Talvez o mais sonhador, como diz meu sócio. Acredito que o entusiasmo é uma competência, mas confesso que está cada vez mais difícil de conseguir acordar todas as manhãs e ter a energia reposta. Até porque agora ela está 34% mais cara.
 

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