O que a tática no futebol pode ensinar aos empreendedores

Daniel Fernandes

23 de setembro de 2014 | 06h47

No último dia 18, Juliano participou de um evento voltado para empreendedores em São Paulo, o HBS Angels Experience, com palestras de dois professores da Harvard Business School.  Um deles, a professora Lynda Applegate, já havia sido sua professora em um curso de empreendedorismo de uma semana que ele fez lá na HBS em 2010.
Lynda foi uma das fundadoras do departamento de Empreendedorismo da universidade norte-americana, e sua palestra veio de encontro ao que estamos experimentando na Alimentos Pomerode, pequena empresa localizada no pequeno município catarinense homônimo que compramos em agosto de 2013 para acelerar nossa entrada no mercado de queijos especiais – um projeto que estamos descrevendo, passo a passo, no blog Diário do Queijo.
Lynda fez uma comparação interessante (e um tanto propícia em solo brasileiro) entre empreendedorismo e futebol. Técnica do time infantil da escola de seu filho, ela descreveu como crianças de cinco anos costumam jogar: todos correndo atrás da bola, sem organização tática. Todos querendo fazer o gol e ninguém ficando para defender. A professora comentou que este é o ambiente de muitas pequenas empresas, principalmente nos primeiros anos de funcionamento.
Na Alimentos Pomerode, temos observado episódios em que, por exemplo, a área comercial se mete na logística,  produção se mete com o setor de vendas, e por aí vai. Por um lado, isso é um sinal de que a equipe é motivada e quer ajudar a empresa a crescer. De outro, quando todo mundo tenta resolver tudo, sem respeitar os processos internos, o cotidiano da empresa pode virar uma grande bagunça.
Na palestra, Lynda reforçou a necessidade de planejar e se organizar, como um bom time de futebol profissional. No começo, como em uma partida oficial, a bola é tocada para trás e para os lados, para sentir o ambiente do jogo, se adaptar ao gramado e organizar os jogadores em campo. Só depois de alguns segundos é que, normalmente, se busca o ataque, se começa a ousar. Todos sabem seu posicionamento, sua função no time. Motivados, querem vencer e sabem que obediência tática é uma grande ferramenta para vencer com consistência.
Claro que há exceções à regra, como quando o zagueiro sobe ao ataque para tentar um gol de cabeça, ou quando os atacantes voltam para defender um escanteio contra. Traduzindo para o ambiente de uma empresa, é preciso motivar os colaboradores a dar ideias, mostrar abertura para opiniões e sugestões. Mas, ao mesmo tempo, se faz necessário gerenciar bem este processo, deixando as regras bem claras já no momento das contratações. Só assim, com organização e planejamento interno, dá para pensar em ser campeão.

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