O poder do conselho de franqueados em tempos de economia compartilhada

O poder do conselho de franqueados em tempos de economia compartilhada

Especialista em franquias conta como se deve criar um conselho de modo que ele venha a ser bem estruturado e eficaz

Estadão

01 de abril de 2019 | 14h25

Por Ana Vecchi *

Participando de uma roda de negócios com franqueadores de microfranquias, me deparei com várias dúvidas sobre a importância de um conselho de franqueados e seu papel em relação à rede. Alguns relataram a decepção no primeiro ano de atuação de seus conselhos, pelo fato de os mesmos não conseguirem desempenhar bem o que se propuseram realizar.

A inexperiência das partes (franqueadora e conselho), em geral, é a maior vilã dessa realidade. Um estatuto é elaborado por um advogado, o papel das partes é definido, o conselho é consultivo e alguém da franqueadora participa dele e tem o poder do veto.

Estas são as premissas que mais preocupam na formação do conselho, mas são as últimas a fazerem alguma diferença, até que todos amadureçam sobre o porquê de constituir um conselho de franqueados e como engajar, principalmente a rede, sobre a representatividade dos conselheiros perante a equipe da franqueadora e como eles podem atuar em favor dos interesses e necessidades dos franqueados.

Foto: Pixabay

Para que haja integração e engajamento de todos é fundamental que haja informação suficiente para que a rede compre a ideia junto àqueles que a representarão, assim como para que todos entendam como pode funcionar, e muito bem, um canal a mais de comunicação, que fará a triagem das demandas urgentes e importantes, das tendências e novidades, criando um cronograma de ações e propostas à franqueadora, que, terá no conselho mais um grupo de pessoas trabalhando com ela na melhoria constante de performance e satisfação da rede.

Entendida esta parte, de forma prática devem eleger os conselheiros (ideal que haja um de cada região do País em que existam franqueados), a frequência de encontros (presenciais e virtuais), definir quem paga as viagens de conselheiros de outros Estados, a ordem de assuntos a serem tratados e as ações que resultem em maior impacto e posicionamento da marca, entre outros tantos assuntos.

Há empresas que criam conselhos por área de atuação, como marketing, produtos e TI, por exemplo, e outras definem por um conselho que trabalhe todos os processos de forma a priorizar os assuntos que requeiram mais atenção e decisões. De toda forma, todos os processos devem ser analisados e elencados para melhorias constantes.

“Para discutir marketing, é fundamental vivência na área, a ponto de haver cabedal para palpitar, senão vira um toró de palpites, nada produtivo”

O número de conselheiros vai depender do tempo de franqueadora e rede, número de unidades instaladas, complexidade da operação e franqueados com real conhecimento e/ou experiência nos assuntos tratados. Para discutir marketing, é fundamental formação ou vivência na área, a ponto de haver cabedal para palpitar, por exemplo. Senão vira um toró de palpites, nada produtivo, em todos os aspectos! E o conselho deixa de ter importância e se torna, apenas, mais um problema, mais um desgaste e frustração.

Como construir este momento? Em uma convenção de franqueados, com informação e teasers semanas antes. Gerar curiosidade e interesse em mais uma proposta de integração, união e soluções das quais a rede é corresponsável, porque participa das mesmas. Trata-se, ainda hoje, de mudança de cultura para muitos, mas em tempos de economia compartilhada nada mais atual que um conselho de franqueados estruturado e eficaz! No final da convenção, é só comemoração e esperança renovada por uma gestão melhor. Já vimos este filme, não?

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e expansão de negócios em rede.

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