O perfil atualizado do consumidor brasileiro

Daniel Fernandes

16 de junho de 2016 | 10h10

Um artigo recém-publicado pela prestigiada consultoria McKinsey & Co analisa os efeitos da recessão nos hábitos de consumo do brasileiro.
Foram entrevistados online 1000 consumidores brasileiros, com o objetivo de tentar entender como as pessoas se sentem sobre suas perspectivas financeiras, e como estes sentimentos estão afetando o comportamento de consumo.  A pesquisa faz parte de um projeto mundial, com um total 22 mil entrevistados em 26 países.
Não surpreende que apenas 8% dos brasileiros se manifestaram otimistas com a economia nacional – o menor índice entre todos os países participantes, 49% disseram estar vivendo com os pagamentos de salario mês a mês, e 72% disseram estar preocupados de que uma pessoa da família vai perder o emprego no próximo ano. Até aqui, nada de muito novo.

Mas a pesquisa também identificou algumas mudanças no comportamento de consumo no Brasil, que merecem uma olhada mais detalhada:
1.Começando a fazer poupança
Três de cada 4 pessoas confirmaram que estão procurando formas de economizar dinheiro. Mais da metade disse que estão prestando mais atenção aos preços, procurando promoções e adiando compras. E, muito importante para o meu segmento de gastronomia, 42 % disseram que estão comendo mais em casa.

2.Ainda resta fidelidade à marca, mas apenas se o preço é justo
Um terço dos entrevistados afirmou que não abandonou suas marcas preferidas, mas está fazendo pesquisa para tentar encontrar a mesma marca por preços menores. 19% está comprando menos quantidade e 14% está esperando uma liquidação.

 
3.Os que trocaram de marcas, não se arrependem
A pesquisa mostra que 21% dos brasileiros mudaram suas marcas por outras de menor preço – contra 12% de outros países – e deste grupo, 60% afirma que não voltaria a comprar marcas mais caras.
4.Também temos um grupo que está subindo
Surpresa, surpresa! Mesmo com a maioria dos brasileiros fazendo economia, um grupo de 5% está gastando mais, mas em áreas muito específicas: higiene pessoal, cervejas, vinhos, por exemplo.
5.Compras em qualquer lugar
Muitos brasileiros estão comprando alimentos em redes de descontos, como os “atacarejos”, que vendem em grande quantidade e também ao consumidor final, com preços competitivos e poucos serviços. A promessa é que as compras online de alimentos possam vir a participar mais do mercado, como é em outros países.
Minha avaliação, após ler o trabalho bacana da McKinsey, é que o consumidor brasileiro está se comportando de forma mais madura, mais consciente e com pensamento de longo prazo. Se esta crise está tendo algum lado positivo, talvez seja este: um aprendizado para cuidar melhor do dinheiro que se ganha, poupar, e pensar melhor o valor x preço. Tomara!
Ivan Primo Bornes, masseiro e fundador do Pastifício Primo, escreve toda quinta-feira no Blog do Empreendedor do Estadão.

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