O papel da inclusão produtiva no combate à desigualdade social

O papel da inclusão produtiva no combate à desigualdade social

Há muito potencial no empreendedorismo e, quanto mais produtiva uma empresa, mais valor ela gera para a comunidade, movimentando a economia local e gerando emprego

Maure Pessanha

02 de fevereiro de 2022 | 17h30

O contexto atual do País tem mostrado que a pandemia comprometeu o presente e o futuro da nação, sobretudo da população em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O cenário que se apresenta traz a demanda de uma articulação social ampla com o objetivo de diminuir a desigualdade e criar reais oportunidades de desenvolvimento humano nas esferas pessoais e profissionais.

Um conceito que pode pontuar muitas das iniciativas necessárias para endereçarmos, como sociedade, o desafio social – e nos ajudar a superar processos crônicos de exclusão – é a inclusão produtiva e, em especial, com o recorte do empreendedorismo.

Como ponto de partida para pensar em inclusão produtiva de maneira crítica e racional, destaco a convergência entre os empreendedores: a baixa produtividade dos negócios – que resulta em riscos maiores de mortalidade prematura dos empreendimentos e na precarização da vida dos empreendedores e familiares.

Digitalizar os nano e micronegócios pode ajudá-los a aumentar a produtividade e, assim, evitar o risco de mortalidade prematura. Foto: William Iven/Unsplash

Portanto, para uma reflexão mais qualificada, duas questões são bastante pertinentes:

  1. como propiciar que os nano, micro e pequenos empreendedores possam digitalizar os seus negócios e aumentar a sua produtividade;
  2. e como promover um ecossistema empreendedor mais justo, ou seja, gerador de ações afirmativas de inclusão e curador de dinâmicas de exclusão.

Esses questionamentos amparam outra reflexão pertinente: há muito potencial no empreendedorismo brasileiro e quanto mais produtiva uma empresa é, mais valor ela gera para a própria comunidade do entorno, movimentando a economia local, gerando renda e emprego.

O fortalecimento de nano, pequenos e médios empreendedores dialoga com a urgência em apoiar a inclusão produtiva no País, sendo uma forma de impulsionar o nível de renda e dar suporte à redução da exclusão social.

Óbvio que a exclusão produtiva é complexa e atinge o País como um todo. Por consequência, demanda o desenvolvimento de soluções que promovam mudanças sistêmicas e que enderecem desafios como o da inovação, da produtividade, do acesso a microcrédito, apoio para o letramento digital e financeiro, entre outros suportes ao empreendedor.

* Maure Pessanha é empreendedora e presidente do Conselho da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

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