O impacto da filantropia em tempos de pandemia

O impacto da filantropia em tempos de pandemia

Plataforma ajuda a fazer 'match' entre iniciativa e empresa doadora; durante a pandemia, mapa reúne organizações focadas em reduzir os impactos da crise causada pelo coronavírus

Maure Pessanha

27 de maio de 2020 | 09h55

Com o avanço inclemente do novo coronavírus no Brasil, assistimos à ascensão de um movimento de filantropia que mostra a face mais solidária do País. Levantamento da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) aponta que o volume de doações destinadas a amenizar os impactos da pandemia ultrapassaram os R$ 5 bilhões.

Analistas revelam que essa cifra é, em parte, resposta à aprovação de projetos estaduais que tornaram as doações menos burocráticas. A nação, longe de ser reconhecida pela cultura de doação – nos últimos 10 anos ocupou a posição 74ª do World Giving Index entre os 126 países mais generosos do mundo –, desperta para uma nova realidade marcada por uma consciência coletiva de que empresas e indivíduos precisam ser um fator de soma para a transformação social.

A despeito do montante arrecadado, estamos distantes de ter o valor suficiente para dar suporte financeiro à totalidade das iniciativas sociais que estão sendo conduzidas Brasil afora. Nesse contexto, um negócio de impacto social está articulando frentes de trabalho para auxiliar, de um lado, as organizações sociais na captação de recursos e, de outro, as empresas que queiram apoiar projetos sociais por meio de recursos de incentivo fiscal; a proposta é amenizar os impactos sociais negativos gerados pela crise. Com base em dados e tecnologia proprietária, a Simbiose Social desenvolveu uma plataforma de mapeamento de potenciais patrocinadores para organizações sociais.

Na ferramenta Radar de Patrocinadores, os gestores de ONGs podem identificar – entre as mais de 60 mil empresas mapeadas – quais têm maior sinergia com as causas defendidas e com maior potencial de se tornarem doadores nesse momento de pandemia. O sistema conta com integração de servidores públicos e possui filtros por região, perfil de investimento, tíquete de aporte, sazonalidade, entre outros. As informações disponíveis permitem maior eficiência no processo de captação de recursos, sendo uma solução de apoio à tomada de decisão. As organizações não governamentais interessadas em participar podem fazer um cadastro na plataforma.

Mathieu Anduze (à esq.) e Raphael Mayer, da Simbiose Social. Foto: Marco Torelli

Os empreendedores Raphael Mayer e Mathieu Anduze criaram, também, a plataforma ‘Mapeamento de Impacto’, que reúne organizações sociais com iniciativas focadas em reduzir os impactos da pandemia e que estão aptas a receber recursos de incentivo fiscal nesse momento. As selecionadas trabalham com temas como saúde e apoio a idosos em situação de vulnerabilidade e têm atuação em comunidades de baixa renda com alta concentração populacional.

Esses projetos mapeados serão disponibilizados para as empresas interessadas em apoiar; as auditorias feitas pela equipe da Simbiose Social não terão custos e os investidores contarão com todo o suporte necessário. Nessa iniciativa já foram identificados 48 projetos de organizações sociais, foram mapeadas nove leis (federais, estaduais e municipais), a mobilização esperada é de R$ 35 milhões e o impacto pode atingir 12 Estados.

Diante de um momento inédito da história da humanidade, as atitudes frente ao enorme desafio devem ser grandiosas. Que a solidariedade seja o grande legado dessa nova sociedade que precisa emergir pós-pandemia.

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* Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

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