O Google dá 20% do tempo para o funcionário. E você?

Daniel Fernandes

21 de maio de 2013 | 06h59

Renato fala sobre criação

A vida de startupeiro é super corrida e pensar em fazer alguma coisa além de trabalhar na própria startup é quase impossível, mas ter um projeto pessoal pode ser uma vantagem. Tanto eu quanto o meu sócio temos alguns projetinhos em paralelo.
Ajudamos algumas outras startups, dando assessoria ou participando do conselho, além de ajudar a promover um evento de empreendedorismo que acontece mensalmente. Outros colaboradores do Fashion.me também têm os seus projetos: alguns fazem trabalho de freelance no fim de semana e outros têm um projeto de montar a sua própria startup.
Eu não consigo quantificar isso, mas eu consigo dizer com certeza que os projetos paralelos de todos nós, de alguma forma ou de outra, contribuíram para o Fashion.me. Seja em acharmos parceiros nos eventos, até em rachar o aluguel do escritório ou de contratar uma dessas startups para fazer um job para a gente.
O Google é famoso por deixar que seus funcionários trabalhem até 20% do seu tempo em projetos pessoais. Dizem que o Gmail e o Orkut nasceram desses tipos de trabalho. Eu sei, o Google é uma empresa gigante e pode se dar ao luxo de ter 80% do tempo do funcionário; é outra realidade. Mas será que o Google está certo? Eu acho que vale o debate.
Para atrair talentos é uma política interessante, quem não quer poder trabalhar no que realmente gosta, nem que seja 20% do tempo? E se o projeto der certo, eles ainda ficam com um pedaço. Eu conheço algumas empresas que proíbem os funcionários de trabalharem em outros projetos e fazer freelance. Outras vão além e fazem o funcionário assinar que tudo o que ele fizer é de propriedade da empresa. Os argumentos são que fins de semana são para descansar, para que você volte bem disposto na segunda-feira e que muitas vezes esses trabalhos acabam ‘invadindo’ o expediente.
A pessoa que realmente quiser, acaba fazendo escondido e quando o projeto começa a dar certo, abandona a empresa. O Fashion.me começou de um projeto pessoal. Eu e o Flavio começamos a trabalhar durante as noites e os fins de semana. Só com quase 4 meses de projeto é que resolvemos nos dedicar a ele em tempo integral. Incentivar projetos pessoais também pode ser um jeito de explorar novas ideias para a própria empresa.
Sempre existem projetos que nunca saem do papel porque ninguém tem tempo para eles. Alguém pode se interessar por eles e mesmo que não seja a prioridade pode fazer com que eles ganhem vida e aí todo mundo ganha. Ainda estamos muito longe de oficializar os 20% do tempo para projetos pessoais como o Google, mas eu acredito que uma discussão aberta sobre eles na empresa e um incentivo para projetos pessoais que tenham a ver com a empresa pode ser importantes para o sucesso da sua empresa.

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