O futuro segundo Star Trek: só vai trabalhar quem quiser

Daniel Fernandes

08 de setembro de 2016 | 10h14


Recém estreou o novo filme da saga Star Trek – Jornada nas Estrelas, na versão em português – e isso me empolgou a indicar uma das leituras mais interessantes dos últimos tempos, o livro “Trekonomics: The Economics of Star Trek” de Manu Saadia.
Conheci o projeto do livro no final de 2015 por acaso, enquanto garimpava alguma notícia sobre o filme, e encontrei um link para o crowdfunding da obra. Li alguns artigos do escritor a respeito do processo de elaboração do livro, explicando o conceito e a complexidade de criar uma teoria econômica baseada na filosofia e ética mostradas em Star Trek. Sinceramente, como super nerd que sou, achei o projeto sensacional e venho acompanhando desde então.
O livro foi finalmente lançado em maio de 2106, pode ser baixado na Amazon e quem sabe em breve – tomara! – alguma editora nacional se interesse por traduzir.
Enquanto isso, me atrevo a tentar resumir alguns pontos que o autor apresenta no desenvolvimento deste cenário econômico, feito com base nos filmes e séries dos últimos 50 anos de Jornada nas Estrelas.
No futuro utópico do século 25, de acordo com a ficção estelar, a humanidade vai estar viajando pelo universo com naturalidade, teletransportando pessoas, e todas as necessidades materiais estarão completas. O dinheiro é obsoleto, e praticamente tudo o que você quiser – ou precisar – pode ser produzido em replicadores, basicamente de graça. Não há pobreza, nem fome. A medicina e educação são gratuitas e acessíveis a todos. A pessoa trabalha apenas se quiser trabalhar.
Então, as principais perguntas que o Manu Saadia procura inicialmente responder são: como seria o funcionamento prático da economia numa sociedade na qual as pessoas não precisam mais trabalhar? O sistema econômico não entraria em colapso sem o dinheiro? Os sistemas de produção seriam afetados sem as pessoas terem motivação de trabalhar por dinheiro? Seria possível dispensar o dinheiro como forma de remuneração?
Partindo desta premissa, Saadia desenvolve cenários e testa o funcionamento prático desta economia futurística, simulando a complexidade de diversas camadas de interação de uma sociedade “normal”. Por exemplo: Quem faz a construção das naves? Quem faz o encanamento numa casa? Quem programa os computadores? Quem toma conta das crianças? E como estas pessoas são (ou não) remuneradas?
Achei muito interessante esta abordagem, pois quando falamos de utopias para um mundo melhor sempre pensamos nos grandes heróis e nas grandes ideias. Mas o Trekonomics vai nos pequenos detalhes para testar a viabilidade do modelo econômico no dia a dia das pessoas comuns, da dona de casa, do encanador.
Então fica claro um grande dilema a ser enfrentado pela sociedade/indivíduo do futuro: quando tudo é de graça, os objetos – as coisas – não serão mais símbolos de status. Como então responder a esta demanda que parece tão natural ao ser humano – de ser exibicionista?
Conforme Saadia, a sociedade de Star Trek encontrou uma resposta sólida o suficiente para nos fazer sonhar em seguir o mesmo caminho: o sucesso de uma pessoa não será mais medido pelo dinheiro que ela possui, e sim através de suas realizações.
Portanto, as pessoas irão trabalhar para alcançar estes objetivos pessoais, e não pela remuneração. Muito interessante, não é?
E a propósito do  motivo de existir este Blog do Empreendedor:  é extremamente adorável que o nome da emblemática nave Enterprise, na qual são centradas todas as histórias de Jornada nas Estrelas, signifique, literalmente, empresa. Vamos fazer de nossas empresas a nave para o futuro? “Audaciosamente indo, onde ninguém jamais esteve”.
Ivan Primo Bornes – o fundador e masseiro do Pastificio Primo, escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva direto para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

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