O Facebook acertou em cheio na sexta; todas as outras marcas, não

Daniel Fernandes

29 de junho de 2015 | 10h24

Durante toda a sexta-feira passada, dia 26 de junho, uma frase não saiu da minha cabeça: ‘Eu não sou o que eu sou, eu sou o que o cliente acha que eu sou’. Ela tem a ver, quando estudamos um pouco de marketing, com posicionamento. E posicionamento tem a ver com os quatro ‘Ps’ de marketing – produto, preço, praça e promoção.
Na última sexta-feira, a palavra ‘posicionamento’ ganhou um sentido real, palpável, até. A Suprema Corte dos Estados Unidos havia acabado de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o território norte-americano. A decisão, por si só histórica, foi seguida de algo muito interessante do ponto de vista de empresas, marcas, negócios, empreendedorismo e, olha ele aí de novo, posicionamento.
O Facebook passou a permitir que seus usuários ‘tingissem’ a foto de perfil com as cores do arco-íris, o símbolo – nos Estados Unidos e no mundo – da luta pelos direitos dos gays e lésbicas. Ato contínuo, a minha, a sua, todas as ‘timelines’ foram inundadas pelas fotos que diziam algo muito importante: apoio à decisão da justiça.
O que houve ali, do ponto de vista do marketing, foi posicionamento. O Facebook acertou em cheio ao captar uma vontade de boa parte dos  seus clientes – manifestar apoio à decisão norte-americana – e teve agilidade suficiente para disponibilizar a esse cliente algo para ele se manifestar publicamente na velocidade que a internet exige das empresas.
A marca foi além: tomou partido de uma causa, o que nem sempre acontece.
Depois, outras tantas marcas também se posicionaram. Mas arrisco a dizer que o fizeram com a segurança que a ‘onda arco-íris’, que tomou conta do Facebook, garantia. O desejo do consumidor estava manifestado e pronto.
Agora, adivinha quem venceu a batalha pela mente do consumidor por se manifestar primeiro: A turma do Mark Zuckerberg, não acham?
Quando falamos em posicionamento, uma empresa deve traçar estratégias e ações para que o consumidor perceba a sua empresa como ela quer. Conforme me disse o professor Mario Eduardo Gomes da Cunha, que leciona essa disciplina no MBA da FGV, “quanto mais você souber o que vem na cabeça do consumidor sobre a sua empresa, melhor”.
O Facebook acho que sabe. E você?
Em tempo: no fim da tarde desta segunda-feira, o Link publicou a seguinte nota.  E a discussão a respeito do assunto, como fez o Link com base em uma reportagem, reforça ainda mais como eles acertaram na estratégia.
Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

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