'O dinheiro não deve ser obstáculo para quem quer empreender'

Daniel Fernandes

10 de dezembro de 2012 | 08h29

‘Agora vai’, para Pedro, demorou 10 anos

Tive meu primeiro grande exemplo de empreendedorismo dentro de casa quando ainda era muito menino. A figura do meu pai, Armando Valentim Chiamulera, que migrou do sul do País para abrir duas cidades no interior do Paraná – Ivatuba e Nova Londrina –, marcou minha infância. Mas a maior qualidade empreendedora veio da vivência com meus outros nove irmãos. E eu, por ser o caçula, recebia muito afeto e amor, mas, principalmente, vivia inúmeras situações na confusão daquela grande família, em que o lema era “os últimos serão os últimos!”. Quanta pró-atividade para uma criança!
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Outro exemplo de casa me inspirou para um empreendedorismo diferente na vida. Segui a carreira esportiva, atuando no atletismo durante 20 anos, o que permitiu tornar realidade meu sonho de representar o Brasil em duas Olimpíadas. Delícia realizada em Barcelona 1992 e Atlanta 1996. Naquela dicotomia de superação de esforços físicos e mentais, os papéis de atleta e da pessoa se confundiam, evidenciando a própria responsabilidade por resultados. Naquele milésimo de segundo, quando o tiro da largada é dado, é você com você mesmo, é o momento da verdade, da dedicação total.
Não há espaço para desculpas ou melindres. É no atleta profissional que reside a grande oportunidade para a realização máxima da pessoa.
Nesta intensa vivência pessoal e profissional, descobri o quão poderoso é o inconsciente. Certa vez, depois de quatro meses com dores de cabeça e nas pernas, não podendo treinar, sentei ao lado do meu técnico e ele me falou: “Pedro, acho que você não tem nada!”. Pelo simples afeto nas palavras dele, eu estava curado no dia seguinte. Inacreditável!
A vida de atleta me propiciou o autoconhecimento e, principalmente, a criação de uma ferramenta: o T!esão contínuo, cujo olhar volta-se sempre para o lado positivo e de aprendizado dos fatos. Aos 33 anos, comecei minha jornada profissional “formal”, trabalhando como programador por um ano e, logo em seguida, já estava empreendendo como consultor de sistemas. Fiz um pé de meia e, com o projeto inovador da ClearSale,  pensei comigo: “Agora vai!”. Mas o “vai” demorou quase 10 anos para conquistar espaço no mercado.
Neste oceano azul de oportunidades, aprendi com erros e acertos, inclusive quebrando financeiramente. Mas foram com estes tropeços que aprendi que empreender a vida e o negócio é a mesma coisa. É na autoformação e nos aprendizados dos relacionamentos pessoais que conseguimos quebrar a rotina imutável da busca pelo lucro.
A vida é curta demais para apenas ganharmos dinheiro. Ele, o dinheiro, não deve ser obstáculo para quem quer empreender. Isso não significa que empreender envolva somente um lado romântico da busca pelo sucesso do seu próprio negócio. Há os percalços! Mas empreender é algo maior, é um estilo de vida. Assim, a paixão e o sonho são fundamentais nessa empreitada. Por isso, o T!esão pelo caminho, pelo relacionamento com as pessoas, com as pequenas conquistas deve ser o primeiro foco… desde o início até a perpetuação do negócio. E isso não tem fim porque se trata da própria vida.

Nosso time de blogueiros:


Segunda-feira: Pedro Chiamulera
Fundador da ClearSale, empresa que combate fraudes na internet.
Terça-feira: Renato Steinberg
Ao lado do sócio, Flávio Pripas, ele criou o Fashion.me, primeira rede social de moda do mundo.
Quarta-feira: Juliana Motter
Ela criou um dos negócios mais originais do País atualmente, a loja Maria Brigadeiro.
Quinta-feira: Adriane Silveira
Ela começou faz pouco tempo a empreender. Mas a Nanny Dog ganhou espaço por conta do serviço de babá para cães que a empresária oferece aos interessados.
Sexta-feira: Marcelo Nakagawa
Ele atua como coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper. Ele será responsável pela análise dos assuntos mais comentados na semana pela equipe de empresários.

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