O dilema e as dores do crescimento de uma empresa

O dilema e as dores do crescimento de uma empresa

A dinâmica de ser grande é bem diferente da de ser pequeno. É preciso se preparar para crescer, ou esse processo será desordenado e caótico

Estadão

04 de março de 2019 | 10h49

Por Ivan Bornes *

Fazer um negócio dar certo não é uma tarefa fácil, certo? Mas o pior é constatar que não se chegou a lugar nenhum, pois rapidamente encaramos um outro desafio, talvez ainda maior: conseguir manter-se ou – se assim quiser – crescer.

A evolução de uma empresa pequena para um porte maior é tão complicada e delicada que há dezenas de livros dedicados ao assunto – e não faltam histórias de fracasso nessa transição.
O crescimento é de tal complexidade que, muitas vezes, pode representar a derrota de uma empresa, mesmo aquela muito bem-sucedida na sua largada. Por isso, não me surpreende que haja tantas firmas por aí que preferem estacionar, ficar encolhidas, desistir da expansão.

Para empresa crescer, dono deve deixar de ser centralizador e de resolver tudo sozinho. FOTO: Mike Blake/Reuters

Nada contra: é uma opção muito particular, um luxo para poucos. Mas quando o empreendedor quer expandir – e às vezes, ele precisa expandir -, acaba se deparando com “dores do crescimento”.

Acredito que o primeiro problema seja a ilusão de que, para crescer, basta apenas continuar fazendo o que se faz – só que em maior quantidade. É um engano bastante comum, que – confesso – eu mesmo já cometi, e a cada nova etapa de crescimento tentamos evitar.

A dinâmica de ser grande é bem diferente da de ser pequeno. É preciso se preparar para crescer. Ou esse processo será desordenado e caótico.

“Para que o empreendedor não se torne um gargalo para o crescimento, ele precisa se tornar quase desnecessário”

Outro ponto crítico é a postura do empreendedor: se ele for do tipo centralizador ou sua empresa girar apenas à volta dele, se ele acumula funções ou não tem a quem delegar, o crescimento pode ser desastroso. Porque, por mais eficiente que seja o dono, ele é um só e é impossível estar em todos os lugares ao mesmo tempo, não dá pra jogar em todas as posições no jogo dos “grandes”.

Para que o empreendedor não se torne um gargalo para o crescimento, ele precisa se tornar quase desnecessário – o que pode ser paradoxal, não é? E isso, decididamente, não é fácil.

Por isso, tanto quanto consolidar a marca e conquistar clientes, um pequeno que quer ser grande precisa investir em formar lideranças que tenham a preciosa combinação de eficiência com lealdade. E que saibam preservar e propagar a filosofia que movia o dono quando fundou a empresa.

“Abrir uma empresa e dar certo é apenas o começo do caminho”

Ser maior significa também mais responsabilidade, mais visibilidade, mais abrangência e, por extensão, mais risco de clientes insatisfeitos, funcionários esgotados, fornecedores saturados.

Tem ainda o desafio de obter dinheiro para financiar a expansão, a mudança de regime tributário e a entrada de novos sócios. Por essas e outras, abrir uma empresa e dar certo é apenas o começo do caminho. Mas fazer essa empresa crescer realmente não é para amadores.

Ivan Primo Bornes é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo