O caótico Natal de um empreendedor

Daniel Fernandes

09 de dezembro de 2014 | 15h20


Enfim, mais um mês de dezembro chegou. Época de reflexão, de paz, de compreensão, correto? Pode até ser na teoria. Afinal, em todo final de ano o que vemos é o mesmo bom e velho caos se repetindo. Aeroportos lotados, engarrafamentos, shoppings abarrotados, e muita gente revelando suas piores qualidades para com o próximo… Parece até que no dia 1º de janeiro o mundo vai acabar!
Por um lado isso é excelente para quem tem um negócio, já que a economia aquece bastante, principalmente com a injeção do 13º no bolso dos consumidores. Por outro, o empreendedor, principalmente aquele que fabrica algum produto, precisa lidar com uma realidade: nessa época, mais do que em todos os outros meses do ano, ninguém cumpre prazos. Fornecedores e transportadoras atrasam e, em alguns casos, cobram um extra pelas dificuldades enfrentadas para cumprir suas funções.
É o tal Custo Brasil se revelando mais uma vez. Quanto custa para nós, cidadãos brasileiros, todos os atrasos causados pela falta de infraestrutura viária, pelos embaraços alfandegários, pela ineficiência da máquina pública (e, sejamos honestos, de tantas instituições privadas também)? Sim, porque todo esse custo acaba sendo embutido nos preços dos produtos, obviamente. São problemas que já estão aí o ano inteiro e, em dezembro, com todos consumindo mais, acabam virando imensas bolas de neve. Que não derretem.
Ao longo de nossa ainda curta vida de empreendedores, fomos tentando nos aperfeiçoar para lidar com o caos de dezembro. Vocês podem imaginar que, para quem vende cerveja, dezembro, janeiro e fevereiro são meses desafiadores – são muitas as cervejarias que não conseguem dar conta da demanda gigantesca da época. Agora, com a Pomerode Alimentos melhorando seus números (crescemos bastante nesses 16 meses à frente da empresa), já começamos a sofrer com os atrasos de fim de ano…
Uma das poucas coisas que podem aliviar a situação é planejar e adquirir os produtos necessários com bastante antecedência, o que compromete bastante o fluxo de caixa de um negócio. Muito mais do que isso, precisamos mesmo é lutar para mudar a mentalidade e a ineficiência do nosso país. Só assim vamos progredir e diminuir o custo de se empreender por aqui.
Bruno e Juliano fundaram a Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e agora, à frente da Pomerode Alimentos, trabalham na criação de uma marca de queijos especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.

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