Novos sócios, e agora?

Daniel Fernandes

10 de dezembro de 2014 | 20h22

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira
Acho que sobre esse tema eu nunca escrevi aqui. Estou começando a perder o controle sobre posts antigos e o que ainda falta escrever (risos). Esse é um desafio pessoal, sou desorganizado, preciso melhorar =)
Uma situação ‘difícil’ que passei foi quando começaram a surgir interesses de investidores. Pessoas que demonstraram interesse no nosso negócio e que, de alguma forma, gostariam de fazer parte dele. Sempre, ao longo dos anos, tivemos sondagens, mas nada concreto até o concreto, que aconteceu cerca de dois anos e meio do início das nossas atividades.
Foi quando recebemos uma proposta que, naquele momento, nos pareceu interessante e, principalmente, entendíamos que precisávamos de ajuda. Inicialmente nada mudou, o novo sócio faria o papel de mentoria e consultoria, ajudando meu irmão e eu a guiarmos o barco, a estabelecermos limites e a buscar novos mares.
Acho que o novo sócio veio com muita sede ao bote (risos), expectativa de enriquecimento fácil e tranquilo (até aí sem novidade, acho que 9,5 em 10 pessoas buscam isso), que não se concretizaram. Para quem ‘olha de fora’ nosso negócio pode parecer que é uma ‘mina de ouro’, algo impensável, que não tem como não dar certo etc.
Mas a realidade é bem diferente.
Sim, ocorreram momentos de desgaste. Somos uma pequena empresa, empreendedores e em determinados momentos precisamos estar dispostos a arregaçar as mangas e sujar as mãos, a pedalar para não deixar de atender um cliente, a emitir nota fiscal etc.
Em uma empresa pequena, as pessoas, principalmente os sócios, jogam em mais de uma posição quando necessário (o zagueiro improvisado na lateral). Isso é fundamental e até divertido. Não estou dizendo que isso precisa ser feito para sempre, mas também não é algo que dá para falar que nunca se fará…
Entenderam? (risos).
Somos os pais e mães de nossos filhos (projetos), precisamos saber e entender que nossos papéis são e devem ser multifuncionais. Aprendi como se avaliar potenciais sócios e acho que foi do pior jeito. Sócios, e também aqueles que não são fundadores, devem ser pessoas que acreditam  nos seus sonhos, que enxergam possibilidades neles e não só de lucro, principalmente, não só de lucro.
É fácil quando tudo está bem, mas são nas dificuldades que conhecemos quem realmente joga no time ou quem só está ali apenas por um interesse financeiro momentâneo. Não precisamos de mais uma pessoa falando que é importante dar mais resultado (já temos nós mesmos), precisamos de pessoas ao nosso lado para nos fazerem evoluir. Espero que a Carbono Zero tenha ensinado aos nossos novos sócios essa lição de que nem tudo é sobre dinheiro, nem todo bottom line é um número.
Caminhamos para um novo mundo, novos pensamentos e novas formas de se empreender e fazer negócios. A relação precisa ir além da participação no lucro, do papel do ‘investidor’ de 20 anos atrás, isso é passado, esse modelo está fadado a falência (questão de tempo).
Um abraço, Rafael

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