Novas fronteiras da gestão: Blitzscaling. O caminho das pedras para as scale-ups

Daniel Fernandes

21 de julho de 2017 | 11h42

O sonho de Reid Hoffman era ser acadêmico. Mas acabou se tornando empreendedor. Primeiro dirigindo uma startup (Paypal), depois criando a sua própria empresa (Linkedin) e por fim, investindo em outras (Facebook, Zynga, Airbnb).  Em 2015, quase US$ 3 bilhões mais rico, agora na condição de um dos principais investidores de venture capital do mundo, realizou seu sonho ao criar a disciplina CS183c – Technology-Enabled Blitzscaling no curso de Ciência da Computação na Universidade de Stanford, local em que se formou.
Neste curso, Hoffman, apresenta, em detalhes, o conceito de Blitzscaling, abordagem que desenvolveu algo longo da sua carreira na liderança e investimento em empresas de altíssimo crescimento. Blitzscaling, explica, é o “que se faz quando precisa crescer muito, muito rapidamente. É a ciência e a arte de construir rapidamente uma empresa que atenderá um enorme mercado, em geral global, com o objetivo de ser o primeiro líder em escala.” – explica.
Para quem está envolvido intrinsecamente com startups como empreendedores, investidores e agora, grandes organizações (corporate ventures), ser a líder em escala é garantia para continuar crescendo via novos aportes financeiros até a abertura de capital ou aquisição estratégica por uma entidade sinérgica de maior porte.
Neste contexto, há muito tempo, as startups deixaram de ser aquelas iniciativas pitorescas que nasciam de gambiarras em garagens. Agora são máquinas coesas de crescimento acelerado e criadoras de valor. Por isto, desta vez, grandes corporações como bancos, varejistas e até montadoras de automóveis estão tão preocupadas com as scale-ups, startups de rápido e alto crescimento.
Por esta razão, seguir a lógica do Blitzscaling pode ser o caminho das pedras para todos com interesse em criar negócios de altíssimo crescimento. Em sua abordagem didática, Hoffman entende que as scales-ups passam por fases ordenadas que chamou de Escalas Organizacionais ou simplesmente de OS (do inglês Organizational Scale). Estas escalas são caracterizadas por ordens aproximadas de número de colaboradores, usuários, clientes e/ou receita. Mais do que uma faixa fixa, estas ordens de grandeza são apenas referências para que o empreendedor (ou investidor) tenha uma noção de onde está e qual é a sua próxima escala organizacional.

No Blitzscaling, Hoffman também explica que os padrões de gestão de pessoas, produtos, táticas de ida ao mercado (go-to-market), tecnologia, estratégia, operações, finanças, administração, contratação e definição de novas funções só servem para uma dada escala organizacional. No início, quando a empresa é quase como uma família (OS1), com pouquíssimos colaboradores, usuários, clientes e receitas, é inútil (e até nocivo) a startup adotar práticas da escala vila (OS3) ou cidade (OS4). E empreendedores, investidores ou grandes empresas que apostam em uma startup que está na OS1 deveriam saber disso e daí concentrar seus esforços em apenas dois objetivos principais: 1) identificar uma oportunidade de mercado que não seja óbvia para obter uma vantagem competitiva sólida em curtíssimo prazo e 2) desenvolver uma solução com um incrível aderência às reais necessidades do mercado (product/market fit). No entendimento de quem esteve na liderança desta fase no Paypal, Linkedin, Facebook, Zynga e Airbnb, enquanto estes dois objetivos não forem atingidos, não é possível criar o vínculo “tribal” característico da próxima escala organizacional e assim por diante.
Por ser considerado o Oráculo do Vale do Silício, o conceito de Blitzscaling de Hoffman tem sido confirmado por lideranças empreendedoras como Reed Hastings (Netflix), Brian Chesky (Airbnb), Mark Zuckerberg  (Facebook), Eric Schmidt (Google e Alphabet) e adotado por muitos empreendedores e, especialmente, investidores de venture capital ao redor do mundo.
Se estiver envolvido de alguma forma com startups, conheça um pouco mais sobre este conceito elaborado por Hoffman na criação de scales-up no curso CS183c – Technology-Enabled Blitzscaling que está disponível gratuitamente online. Depois, vá para o nível “pós-graduação”, conhecendo seu novo projeto (Masters of Scale) em que convida outros empreendedores e investidores que também conseguiram escalar rapidamente suas startups.
Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

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