Nossos filhos terão emprego, ou trabalho?

Daniel Fernandes

29 de janeiro de 2018 | 06h36

Notícia divulgada no Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça), semana passada, pelo CEO do Linkedin, Jeff Weiner, diz que em apenas 2 anos mais de 5 milhões de pessoas irão perder o emprego por causa das novas tecnologias. Os novos desempregados serão principalmente das áreas administrativas e industriais. Se você está nessas atividades, fique ligado. E, no Brasil, segundo a consultoria McKinsey, 15,7 milhões de brasileiros terão seus trabalhos afetados pela automação até 2030 — duvido que seja pra melhor.
Estamos vivendo a extinção de toda uma nova séria de profissões e trabalhos, parecida com a que aconteceu no começo dos anos 1900, com o advento da energia elétrica, por exemplo, os acendedores de lampiões de rua ficaram obsoletos. Ou os motorneiros dos bondes. E quem se lembra da última vez que usou um elevador com ascensorista? Os cobradores de ônibus? O Brasil é um raro país onde ainda existe essa função. O metro linha amarela de São Paulo que funciona sem condutor, controlado à distância? Caixas de supermercado? A Amazon testou na segunda feira passada em Seattle um supermercado sem caixas (https://www.theguardian.com/business/2018/jan/21/amazons-first-automated-store-opens-to-public-on-monday). E você pode continuar acrescentando outras funções que não precisam mais de um especialista para serem feitas.
O tempo passa voando, e 2 anos é amanhã, e 5 anos parece muito, mas é apenas o tempo que um jovem fica cursando na faculdade. Quando o jovem estiver formado, pode ser que o conhecimento adquirido – e pago – não sirva para muita coisa.
A questão é: o que – e como – as pessoas irão fazer para prosperar? E como será com nossos filhos?
A resposta para mim é óbvia: empreender. Crie seu próprio trabalho, seja seu próprio patrão. Para quem ainda é empregado, é importante desde já ir estudando e testando as habilidades e o conhecimento para não depender de um empregador. Nenhum emprego é garantido – nunca foi e no futuro será menos ainda. E, se fizermos as coisas direito, podemos preparar nossos filhos melhor do que nós fomos preparados por nossos pais. Podemos ter a chance de ensinar aos nossos filhos a como serem independentes, a administrar o dinheiro, a confiar no próprio esforço sem depender de empregos, ao estoicismo e maturidade emocional para passar por períodos difíceis (pois a vida do empreendedor é dura) e todo o ferramental imaginável a que tenhamos acesso, para enfrentarem um mundo incerto e globalizado. No futuro, trabalhar, ser independente e ganhar dinheiro será um raro privilégio.
 
Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

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