Nem sempre é você quem define seu público-alvo

Daniel Fernandes

10 de junho de 2014 | 07h16

Bruno e Juliano são empresários
Sempre que temos uma ideia de negócio, um dos principais argumentos para seguir adiante com ela vem da seguinte pergunta: qual é o tamanho do mercado?
Este é o quarto dos seis questionamentos que procuramos fazer para saber se devemos ou não investir em um novo empreendimento – nas últimas semanas, já debatemos aqui sobre a importância de ser pioneiro, como agir se não for possível ser o primeiro e também como iniciar um negócio sem esquecer do Planejamento Financeiro.
Mas ainda mais importante é avaliar se existe possibilidade de expansão. Para quem fabrica um produto, seja ele cerveja, queijo ou roupas, seu limite geográfico pode ser o mundo. Isso também é muito válido para quem monta um e-commerce.
Mas aqueles que administram lojas ou restaurantes, por exemplo, estão restritos às regiões em que estão fisicamente localizados. Eles podem expandir seu mercado por meio da abertura de filiais ou franquias, ou ainda diversificando serviços e expandindo seus horários de atendimento.
Intuição, pesquisas de mercado, a contratação de consultores, pesquisas na internet e em associações de classe nos ajudam a identificar o público potencial. Mas só saberemos de fato quem serão nossos clientes e o real tamanho desse mercado depois de colocarmos o negócio em marcha.
E 2002, quando fundamos a Cervejaria Eisenbahn, apostamos que nosso público-alvo seria mais velho, formado por apreciadores de vinho, com alto nível de renda. Sem dinheiro para investir em pesquisas, e com a Internet ainda engatinhando, pesquisamos por conta própria e seguimos nossa intuição
Só que foi um consumidor mais jovem, interessado em novidades e aberto a novas experiências quem se interessou pela Eisenbahn logo de cara. E não precisamos mudar rótulos, logotipo, nem nada. A marca caiu na graça deste público sem que focássemos nossos esforços para eles. E aí percebemos que nosso público-alvo e, consequentemente, o tamanho do mercado disponível para trabalharmos, havia mudado. Um pouco de sorte? Talvez.
Mas e quando você monta um negócio para um determinado público-alvo e ele acaba não interessando a ninguém? Já mencionamos aqui, em um post anterior, nosso insucesso, um restaurante italiano que montamos em Blumenau-SC. Isso aconteceu, também, com um amigo de Porto Alegre, o empresário Paulo Kuhn.
A diferença foi que o Paulo agiu rápido e salvou seu negócio. Ele já comandava um bem sucedido irish pub no elegante bairro Moinhos de Vento, o Mulligan. Resolveu então abrir, em um bairro bem mais boêmio – a Cidade Baixa -, um segundo estabelecimento, com um conceito de botequim.
Só que o lugar se parecia com tudo que já havia por lá, e não decolou. Em exatos 45 dias, Paulo reformulou toda a casa, criando uma filial do Mulligan, mais atraente para o heterogêneo público frequentador da região. Aí, tudo começou a melhorar. Paulo achou que o público da Cidade Baixa se identificaria com o botequim, e errou. Admitiu o erro a tempo e salvou seu investimento.
Como bem colocou o professor Marcelo Pimenta em seu post de ontem aqui nesse mesmo blog: “falhar rápido, aprender rápido”.
Quer conhecer mais sobre o Mulligan, acesse  o site deles.
Bruno e Juliano fundaram a Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e trabalham na criação de uma marca de queijos especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.

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