Negócio incentiva descarte correto de lixo com programa de fidelidade

Negócio incentiva descarte correto de lixo com programa de fidelidade

Para incentivar cidadãos, Molécoola faz sistema de pontos na arrecadação de recicláveis em 10 endereços em São Paulo; empresa de impacto social mira inclusão social de catadores e respeito ambiental

Maure Pessanha

02 de outubro de 2019 | 10h17

O Brasil perde R$ 8 bilhões anuais por não destinar os resíduos passíveis à reciclagem encaminhados para aterros e lixões do País, de acordo com dados de 2010, compilados no Relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A WWF aponta, com base nos dados do Banco Mundial, que somos o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo: produzimos 11 milhões de toneladas; dessas, apenas 1,2% é reciclada.

Reportagem do Estado publicada em agosto apontou que, nove anos após a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), não conseguimos cumprir nenhuma das metas para a gestão do lixo.

Para transformar problema em solução e renda, o empreendedor Rodrigo Jobim Roessler criou, em 2017, a Molécoola: negócio que cria valor compartilhado a partir do lixo reciclável. A empresa engaja a população por meio de um programa de fidelidade, no qual as pessoas podem trocar materiais recicláveis por pontos, que são convertidos em produtos e serviços.

A partir daí, otimiza a logística reversa de recicláveis pós-consumo, recebendo-os e destinando-os adequadamente, cumprindo a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O negócio atua com instalações de lojas-contêiner – que funcionam no modelo de microfranquias – em locais de grande fluxo de pessoas.

A ideia para o negócio surgiu da experiência de Roessler em uma empresa da área de resíduos industriais; ao perceber o potencial econômico e as perdas ambientais que resultam do não descarte correto, decidiu investir na criação do negócio de impacto.

Rodrigo Roessler, fundador da Molécoola. Foto: Marco Torelli

Hoje, a operação conta com dez lojas – Shopping Center Norte, Shopping Jardim Sul, Makro Lapa, Interlagos e Vila Maria, Shopping Metrô Tucuruvi, Maxxi Taboão da Serra, Leroy Merlin Morumbi, Parque Vicentina Aranha (São José dos Campos) e Jaguariúna – e deve inaugurar, neste semestre, mais 30 unidades na região da Grande São Paulo, indo até 150 km de distância da capital.

Novo e disruptivo, o modelo de negócio incentiva a reciclagem ao motivar os consumidores a levarem as embalagens até a loja mais próxima; adota a solução “one stop drop” – recebe todos os tipos de material pós-consumo (lata, papelão, plásticos, vidros, eletroportáteis, eletrônicos e óleo de cozinha) – e educa o consumidor no momento da entrega. Na prática, simplifica a cadeia de reciclagem, promove 100% de rastreabilidade (via implementação de blockchain) e melhora a vida dos cooperados.

Nesse quesito, cabe um detalhamento: a operação adota um formato escalável de microfranquia com cooperados e pessoas em situação de vulnerabilidade social. Há, no Brasil, aproximadamente 1 milhão de catadores com renda inferior a um salário mínimo e atuando em condições precárias de trabalho. A Molécoola fomenta a atuação desse microempreendedor de baixa renda, que se torna um operador capacitado e orientado para gerir a operação da loja.

A visão de futuro do empreendedor aponta para, até 2025, criar 5 mil pontos de recebimento, impactar financeiramente 7 mil famílias, coletar 350 mil toneladas de resíduo por ano, ampliar a presença em todos os Estados e consolidar um modelo de expansão internacional. Em resumo: transformar lixo em instrumento de inclusão social e respeito ambiental.

* Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

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