Negócio de impacto atua na identificação de superdotação e autismo

Negócio de impacto atua na identificação de superdotação e autismo

No Brasil, há subnotificação de populações de autistas e superdotados; social edtech faz triagem e encaminha identificados para profissionais da saúde e educação

Maure Pessanha

04 de agosto de 2021 | 17h50

O Dia Internacional da Superdotação foi criado em 10 de agosto de 2011 pelo World Council for Gifted and Talented Children (WCGTC) para chamar a atenção do mundo para a importância de identificar e dar oportunidades para que crianças superdotadas tenham acesso a uma educação adequada. No Brasil, de acordo com o Censo Escolar, há 24.424 estudantes com esse perfil de altas habilidades, mas estima-se que o número real seja ainda maior.

Há um claro desafio para identificar e apoiar – com o amparo da legislação – crianças, jovens e familiares. Para dar suporte na jornada de diagnóstico correto, um negócio de impacto social tem atuado no país. Fundada por Leandro Mattos e Andressa Roveda, a CogniSigns é uma social edtech com atuação alinhada aos Determinantes Sociais da Saúde.

Na prática, a startup criou soluções tecnológicas em triagem digital para aplicação nas áreas da Educação e da Saúde, priorizando o impacto social e a sustentabilidade. Com o uso da inteligência artificial e ciência de dados, a empresa transforma computadores, tablets e celulares comuns em dispositivos móveis capazes de realizar uma triagem digital voltada à identificação de comportamentos indicadores de Altas Habilidades e Superdotação (AH/SD) e de sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mais recentemente, passou a atuar com saúde mental, podendo ser utilizada por qualquer pessoa, de qualquer lugar – oferecendo agilidade e acessibilidade.

Os empreendedores da CogniSigns Andressa Roveda e Leandro Mattos. Foto: Marco Torelli

De acordo com os empreendedores, há um grande déficit entre o número de superdotados, transtorno do espectro autista e pessoas com a saúde mental debilitada e as taxas reais detectadas. Lacuna, inclusive, que apresenta muitos desafios e resulta em perdas para indivíduos, familiares, escolas, empresas e sociedade.

No Brasil, os indivíduos que apresentam sinais de autismo, indicadores comportamentais de superdotação ou depressão demoram a receber um diagnóstico ou o apoio de que precisam para facilitar o desenvolvimento pleno e a qualidade de vida. São cidadãos que podem não exercer o potencial pessoal, escolar e profissional. A falta de uma abordagem preventiva leva a enormes perdas em termos de capital social e econômico, uma vez que os recursos não são investidos e alocados de forma inteligente e eficaz.

Na CogniSigns, os empreendedores invertem o fluxo do processo de diagnóstico ao realizar, ativamente, uma triagem populacional rápida, fácil e eficiente concentrada em crianças, adolescentes e adultos. Posteriormente, direcionam os indivíduos identificados para profissionais da saúde e da educação qualificados, que passam a atuar munidos por dados coletados na triagem digital e consolidados em relatórios, gerando um conhecimento aplicável.

Como uma ferramenta poderosa para pais, professores e psicólogos, a missão da CogniSigns é impactar 500 milhões de crianças com superdotação e TEA.

* Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

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