Não existem regras para as oportunidades

Daniel Fernandes

10 de setembro de 2015 | 06h03

Na última semana aconteceu algo que me chamou muito a atenção. Entender em que pé anda o comportamento das pessoas é fundamental quando se empreende.
Santa Cruz do Rio Pardo, por tradição, é uma cidade de arrozeiras com pelo menos meia dúzia de marcas conhecidas de arroz, feijão e açúcar no mercado nacional. E querendo ou não, arroz e feijão é um belo termômetro para entender o ritmo da economia, afinal para nós brasileiros essa mistura está para as necessidades básicas assim como a areia e cimento estão para a construção. E aí vem o dado curioso: historicamente, a média de venda de feijão é de 150 toneladas por mês, porém, no último mês, a venda foi de 50 toneladas, ou seja, um terço do valor. Mas como um item de cesta básica com distribuição já consolidada consegue ter uma ruptura de consumo tão grande?
Aí vem outro dado curioso – e preocupante: recentemente li um artigo sobre o aumento expressivo no ticket médio de compra de aparelhos celulares. As pessoas estão deixando de comprar feijão para comprar celulares mais modernos? Mais caros? Que há uma retração no consumo, não há dúvida. Seria no mínimo uma miopia muito grande ignorar tal fato. Mas não chega a ser tão abrangente, de um modo geral, a certos itens dos quais as pessoas não podem abrir mão.
Bem, outro dado curioso: recebemos uma média de dois emails por dia. Isso mesmo: dois emails por dia de empreendedores interessados em comprar nosso produto, pois estão abrindo um empório ou um novo negócio relacionado à alimentação. Mas e a crise? Será que o arroz com feijão está com os dias contados? Será que isso é resultado da gourmetização das categorias? Amadurecimento dos mercados?
Sem dúvida alguma. E isso já vem acontecendo nos últimos quinze anos. Aconteceu com o café, com o vinho, os azeites e agora a cerveja vem passando por esse processo. Será que é o fim das commodities no mercado de consumo? Outro dia conheci um empreendedor que investiu um milhão e duzentos mil reais em uma planta para processar suco de laranja. E o suco dele não tem nada desses conceitos atuais de ecofuncional. É um suco processado de garrafinha como você encontra por aí nas praças do interior. Detalhe: o projeto se pagou em sete meses.
Agora estou confuso. Você também está? No fim, oportunidade não tem regra. Precisa ter faro e sangue frio.
Leo Spigariol, da De Cabrón, escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: