Não existem professores de empreendedorismo

Daniel Fernandes

03 de maio de 2013 | 07h53

Professor ou facilitador?


Nesta semana, mais lições valiosas dos meus colegas empreendedores blogueiros no Blog do Empreendedor do Estadão PME. Se não leu todos os posts, vale a pena refletir sobre os desafios na escolha de um bom nome para o seu negócio apresentado pelo Pedro Chiamulera, da ClearSale, que escreve às segundas. Na terça-feira, Renato Steinberg doFashion.me discutiu sobre os modismos tecnológicos e suas implicações para o empreendedor. Na quarta-feira, Juliana Motter da Maria Brigadeiro voltou a postar depois de merecidas férias e falou sobre como é o atendimento ao cliente do Japão e o que os empreendedores podem aprender com isto. E ontem, quinta-feira, Adriane Silveira falou sobre uma terapia que parece ser adotada por um número cada vez maior de brasileiros: a “cãoterapia”.
A leitura destes e de outros posts do Blog do Empreendedor é importante para atuais e futuros empreendedores porque muitas destas lições não estão nas salas das aulas. E esta constatação representa o maior desafio dos professores de empreendedorismo, no Brasil e ao redor do mundo, que precisam organizar conteúdo a respeito de gestão empreendedora com a experiência real que é vivida de forma diferente por cada indivíduo.
Por isso, acredito que não há “professores” de empreendedorismo e sim facilitadores. E também não há alunos (ausência de luz em latim) mas pessoas com luz própria. E por esta razão, quem deve brilhar são os empreendedores.
Ninguém se lembra que o Vale do Silício existe, em parte, pela ação pessoal do “professor” Frederick Terman, que apoiou incansavelmente dois de seus melhores “alunos”: Bill Hewlett e David Packard, co-fundadores da HP.
Algum tempo depois, foi a vez do seu colega, o “professor” Frank Shallenberger incentivar um “aluno” que pensava em abrir um negócio de tênis esportivo. Se pensou na Nike, acertou. E só para ficar não listando vários “professores”, o Google provavelmente não teria existido se não fosse a orientação e apoio do “professor” David Cheriton.
Tudo isso para explicar a minha felicidade com o brilho de uma ex-“aluna” na organização da 3ª Virada Empreendedora (www.viradaempreendedora.com.br) que ocorreu no final de semana passada em São Paulo. Ela conseguiu reunir mais de mil pessoas que se interessaram em ficar 24 horas ininterruptas para discutir, aprender e vivenciar temas de empreendedorismo.
Em um só local, os atuais e futuros empreendedores poderiam aprender técnicas de planejamento, falar com outros empreendedores, interagir com investidores, aprender novas habilidades e refletir sobre novos temas que poderiam tornar seus negócios ainda melhores. Havia tanta gente no evento que muitos palestrantes tiveram que realizar suas apresentações mais de uma vez.
Eu também estava lá para apoiá-la, como já tinha feito no passado. Mas não botava fé que haveria gente na minha sessão de empreendedorismo social às 9 horas manhã do domingo. E não é que a sala foi enchendo até ficar lotada? Gente que não havia dormido prestando atenção, discutindo, perguntando, opinando, aprendendo e ensinando. No final, uma grande lição para mim: as melhores aulas de empreendedorismo não demandam professores!
Parabéns Ana Fontes! Hoje somos amigos e colegas de docência de empreendedorismo. Somos companheiros de uma jornada que não sabemos muito bem onde vai dar, mas só não vamos ficar parados para ver o que acontece, já o que importa é fazer acontecer!

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