Não é que o franchising tem alma? A alma do compartilhamento

Não é que o franchising tem alma? A alma do compartilhamento

Muito antes de se falar em economia compartilhada, o setor já tinha seu DNA baseado no compartilhamento de princípios

Estadão

08 de abril de 2019 | 13h04

Por Ana Vecchi *

Os eventos ou as discussões de que participo são fontes inspiradoras para um blog. Muitas vezes, me impressiono como uma fala minha, por mais simples que seja, a meu ver, pode causar grandes reflexões e ricas trocas de ideias. A discordância é um fator que provoca, e muito, o posicionamento de cada um, baseado em histórico de experiências vividas, fatos relevantes e, acima de tudo, conhecimento. Não sou muito a favor do “ouvir falar”, não invisto muito tempo nesta premissa.

Uma das reflexões dessa semana foi acerca do franchising que estamos fazendo no Brasil, que modelo construímos e diante de que premissas permitimos o crescimento de nossas redes franqueadas. Qual a geração de valor para todos os stakeholders? Qual nível de transparência nos permitimos? E que tipo de relacionamento queremos com nossos franqueados?

Por vezes, as conversas parecem não permear a máxima “causa e consequência” em qualquer forma de nos relacionarmos, seja emocional ou comercialmente. Dependendo das respostas que dermos às questões acima, o resultado será um ou outro. As escolhas feitas trazem como consequência comportamentos e resultados proporcionais a elas.

Foto: Pixabay

Mas é mais fácil encontrar um culpado. De forma geral, procuram-se mais culpados do que soluções, verdades, espelhos para auto imagem ou, ainda, as respostas que podem doer, mas que podem resolver, se não tudo, muito do que se procura solucionar.

Queremos fazer o mesmo franchising dos EUA? Ainda valorizamos carregar as marcas estrangeiras em nossas camisetas, como fazíamos nos anos 1970, porque a importação não era aberta e a galinha do vizinho parece sempre ser mais gorda? Os shows para venda de franquias e números fantásticos fazem parte de nossos passos para a venda de franquias? E os franqueados, que não enxergam tais fantasias e apostam suas vidas em marcas fantasiosas, ou fakes como diria Trump, é que são os vilões, os errados, os tolos, os fracassados ou idiotizados. Trinta anos se passaram e ainda vemos ou ouvimos tamanhos absurdos.

Os franqueados de uma empresa retratam, exatamente, a cultura de seus franqueadores. Buscam um líder e, sem que conheçam os bastidores do franchising e das marcas, escolhem aquele que lhes transmite maior liderança, conhecimento e o que mais buscam em um empresário ou em uma marca. Então, se são excelentes gestores de franquia, são reflexo de um processo de seleção profissional e responsável. Se são “uns perdidos”, já sabemos como foram selecionados e quem refletem.

Nossa maior preocupação deveria estar, como muitas franqueadoras fazem, em construir uma relação duradoura, ganha/ganha, estruturada para abundância em todos os recursos e para todos (talento, conhecimento, ambiente, financeiro) e que possa ser repassada a todos os que têm visão de negócios alinhada à da franqueadora, que busquem compartilhar dos mesmos princípios e propósitos. Para isso, é preciso entender que todo negócio precisa ter alma para viver e sobreviver a todos os desafios. E que a propaganda não é mais a alma do negócio.

“A alma do franchising está no compartilhamento, muito antes mesmo de se falar em economia compartilhada”

A cultura de uma empresa vem de seus criadores, transpassa paredes e chega à rede. A cultura da empresa, somada à alma de cada negócio, permite a abundância, o crescimento e a expansão da marca. Atravessam oceanos e conquistam novos consumidores, franqueados e colaboradores. Que tipo de energia queremos transmitir? Quanto de energia temos que investir ou gastar, para que tudo funcione como queremos?

Pense nas frases: “Amo a energia que temos com eles” X “Não aguento mais gastar energia com eles” = suas escolhas. “Eles transmitem nosso DNA, são fruto de nosso DNA” X “Eles não fazem ideia do DNA desta empresa, não sabem da alma de nosso negócio! E ainda se acham!”

Foi profundo, eu sei, mas sem nos questionarmos seguimos como uma boiada para o abate.
A alma do franchising está no compartilhamento, muito antes mesmo de se falar em economia compartilhada, no ganha/ganha, em sustentabilidade, fair-play e/ou transparência.

No mais das vezes, como nos filmes ou séries, o bem vence o mal. E, acima de tudo, fazer o bem faz bem pra… caramba! Esta é a alma do negócio franquia: gerir uma rede mostrando que todos temos que nos sentirmos bem, realizando o bem, da melhor forma, sempre. Holístico. Sem ideologias, na prática, na raça mesmo!

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e expansão de negócios em rede.

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