Não é possível ligar um 'on work' na cabeça e esquecer o lado pessoal

Daniel Fernandes

21 de janeiro de 2013 | 08h26

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“Contratamos o profissional e, que pena, a pessoa veio junto!”; “Temos que separar a parte profissional da pessoal”; “Agora é trabalho, deixe os problemas para trás!”; “Aqui não é hora para se falar nisto!”… e muitas outras frases que exemplificam bem o isolamento do papel profissional dos outros, como se fosse possível ligar um “ON WORK” na cabeça e esquecermos o lado da pessoa. Este é um grande dilema no contexto corporativo e, se discutido abertamente numa roda de conversa, muitos problemas poderiam ser resolvidos, criando assim um ambiente de trabalho mais feliz e produtivo, cheio de emoções positivas.
Mas na rotina intensa de trabalho, acabamos nos atropelando e, por tabela, impactamos as pessoas que estão conosco no cotidiano da empresa. Falta tempo para falar alguns minutos sobre a pessoa e não somente das metas. Quanta diferença faz um sorriso, um bom dia, alguns minutos para a pessoa colocar para fora os problemas de casa e, conforme for, um tempo maior para resolver os problemas.
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O trabalho posterior fica muito mais produtivo quando a pessoa estiver mais “leve”.  Esse tempo para a conversa com afeto além do profissional no dia a dia possibilita estreitar o laço de confiança. E desta relação mais humana, as outras competências fluem melhor. Esta liberdade do diálogo é para todos, assim como a responsabilidade da entrega do trabalho. Não temos como fugir disso, temos que dar resultados!
Então, por que não fazê-lo de modo que possamos aprender um com o outro as dinâmicas das emoções humanas e construir algo maior juntos? É neste aprendizado humano que conseguimos quebrar a rotina do trabalho. Aqui reside a beleza de estarmos abertos para viver os valores humanos da confiança, da transparência e da humildade tão importantes para qualquer carreira profissional de sucesso.
O grande desafio é que desde a nossa infância, na maioria das vezes, tivemos que fazer as coisas, sem explicação, de fora para dentro, no “tem que” e, como diz o ditado, na “porrada”. Isso deixa marcas e, então, seguimos os mesmos passos. O contrário seria ouvir verdadeiramente as pessoas, acolhê-las com afeto, abrir espaço para uma maior participação e depois, em conjunto e com mais subsídios, decidir o melhor caminho para o trabalho a ser realizado. Faça um teste! Quando for pedir algo para alguém fazer, inicie a conversa com um sorriso, feliz, com educação, focando primeiro na pessoa e depois veja que o profissional vem gratuitamente ou pelo menos com maior disposição para fazer o trabalho. Todos nós precisamos e gostamos de afeto!
Outra maneira simples de extrair mais a pessoa do profissional e vice-versa é solicitar um registro por escrito de quando se tem algo para decidir ou algum problema para resolver. Assim, ao fazer o registro, a pessoa tem o seu momento de introspecção e precisa organizar os seus pensamentos e ao compartilhar, ou não, ela realmente falará aquilo que é dela ao invés de concordar com alguém.
Enfim, se ficarmos atentos à pessoa que existe dentro do profissional aprendemos muito sobre o outro, sobre nós mesmos e damos um sentido maior para o trabalho diário. Ganhos enormes em produtividade e felicidade são consequências! Como dizia Piaget: “a afetividade está na base”!  Ter a coragem de dar e receber afeto respeitosamente no trabalho já é um grande aprendizado pessoal. Aproveite então este longo tempo na empresa para exercer o respeito e o afeto e veja como o trabalho se transforma.

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