Não deixe que 2021 seja uma espécie de ‘2020 parte 2’ para o empreendedorismo

Não deixe que 2021 seja uma espécie de ‘2020 parte 2’ para o empreendedorismo

Dependendo da cultura, consciência e atitude de empresários do franchising, teremos notícias de mais franqueados falindo e lojas fechando

Ana Vecchi

31 de dezembro de 2020 | 18h20

Não deveríamos entrar em 2021 apenas com esperança, votos de um ano melhor e todos aquelas metas e planos que fazemos a cada ano. Em dezembro de 2019, pedimos e acreditamos que tudo seria melhor, já que vínhamos superando a “última” crise, que durou anos. Não podíamos imaginar o que estava por vir. Só que agora já sabemos.

Aprendemos com o que nem sabíamos. As redes franqueadas se recriaram, o consumidor buscou novas formas de comprar e mudou seu comportamento.

Sim, devemos acreditar que haverá melhorias. As empresas aprimoraram seus modelos de gestão e vendas, assim como os clientes entenderam quem os atende melhor.

Durante a pandemia, a digitalização foi essencial para a sobrevivência dos negócios. Foto: Pixabay

A expansão de franquias é um dos grandes desejos de franqueadores. Porém, a responsabilidade dessas expansões e a velocidade de instalação de novos pontos de vendas não podem acontecer como se a economia estivesse robusta. A justificativa de que uma marca precisa abrir 100 novas lojas em 1 ano não faz o menor sentido, nem mesmo em tempos de estabilidade. Por isso, essa pode ser uma tragédia anunciada no franchising.

Recado para os franqueadores e franqueados futuros: não entre na conversa de expansões agressivas e que é possível existir mais de 300 lojas de uma nova marca em um mercado ainda desconhecido. 

Quando chamo 2021 de 2020 parte 2, quero mostrar que, dependendo da cultura, consciência e atitude de empresários do franchising (ou de outros modelos de expansão), teremos notícias de mais franqueados falindo e lojas fechando. E a justificativa será a pandemia do novo coronavírus aliada às particularidades do governo.

Vamos ser conscientes e responsáveis sobre as escolhas que fazemos no empreendedorismo e sobre os sócios que buscamos e assumimos.

Fique alerta para que a sua esperança em empreender em 2021 não se torne um pesadelo. As regras e os passos continuam muito similares, só que com o histórico de um ano que pode ter sido o pior de todos. Não ajude a criar ou aumentar a estatística de que 2021 será como 2020.  

Desejo um feliz 2021 com todas as energias renovadas, com critério e maturidade para investir, gerar empregos e realizar sonhos em um cenário que, hoje, você já conhece. 

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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