Na era da crescente complexidade, (re)aplicar as 10 Leis da Simplicidade nos mantém na rota de crescimento

Daniel Fernandes

29 de junho de 2018 | 12h48


Entre as várias sortes que tive na vida, uma delas foi ter chefes brilhantes. Aprendi muito com suas atitudes e com algumas frases que os marcaram. Antonie Roux foi um deles. Ele liderou a área de investimentos em startups do grupo sul-africano Naspers e costumava terminar suas análises com “as simples as that”. Não sei se isto era proposital, mas destacava o brilhantismo da sua liderança em questões complexas ligadas a tendências de mercado, desenvolvimento tecnológico, novos mercados e comportamentos humanos.
Isto me marcou pois ser simples diante de contextos cada vez mais complexos se tornou um dos pilares mais desafiadores da minha forma de viver. Para mim, é complexo ser simples. Mas é muito mais simples ser complexo. Por isso, reler, refletir e (re)aplicar As 10 Leis da Simplicidade, de John Maeda (Editora Novo Conceito, 2007) é um exercício contínuo para continuar crescendo, pois a simplicidade avança muito mais facilmente do que a complexidade.
Escrito na época em que Maeda era o chefe do MIT Media Lab, um dos principais centros de inovação do mundo, seu livro faz o exercício monumental de um centro que lida com as tecnologias mais complexas do mundo em tornar as coisas mais simples.
Simplicidade = sanidade. Esta é a provocação inicial do livro. Em seguida, Maeda traz uma das nossas principais agonias atuais: “A tecnologia tornou nossas vidas mais completas; contudo, ao mesmo tempo, tornamo-nos desconfortavelmente“completos”.
Para os interessados no trabalho de John Maeda, recomendo a leitura do seu livro de apenas 100 páginas. É uma tarde de sábado que vale por muitas outras tardes da sua vida. Mas para simplificar, estas são as dez leis que tornam nossas vidas e negócios mais simples e, consequentemente, mais saudáveis.
Lei 1: Reduza! A forma mais simples de alcançar a simplicidade é por meio redução planejada.
Lei 2: Organize! A organização torna o sistema de muitos parecer poucos.
Lei 3: Poupe tempo! Economizar tempo aumenta a percepção da simplicidade.
Lei 4: Aprenda! Conhecimento torna tudo mais simples pois evita desnecessidades.
Lei 5: Valorize as diferenças! Para a simplicidade ser percebida, a complexidade também merece a mesma percepção.
Lei 6: Repense o contexto! O que está no entorno da simplicidade definitivamente deveria (também) ser simplificado.
Lei 7: Boas emoções aumentam a simplicidade! Mais boas emoções são melhores do que menos.
Lei 8: Transmita (e) confiança! A simplicidade aumenta a percepção de confiabilidade.
Lei 9: Permita-se fracassar! Algumas coisas nunca poderão ser simplificadas.
Lei 10: Concentre-se na essência! Simplicidade é excluir o óbvio e incluir o que é essencialmente significativo.Todos os principais empreendedores e inovadores conseguiram tornar propostas complexas em conceitos simples. Simples assim! – diria meu antigo e saudoso chefe.
Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

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