Mães empreendedoras

Daniel Fernandes

12 de dezembro de 2016 | 11h42

Anna Gibson e Philippa Gogarty são duas amigas inglesas que se uniram para empreender em 2004, e construíram uma empresa de faturamento milionário ao mesmo tempo que não abriram mão de cuidar pessoalmente dos filhos.
A empresa que elas fundaram se chama Micro Scooters e vende patinetes de duas e três rodas. É estimado que mais de 1 milhão de crianças até 12 anos já usaram os patinetes da Micro Scooters. E o negócio segue crescendo e ficando cada vez mais popular.
O começo foi quando Anna, advogada, comprou ao filho Edwark, com 18 meses na época, um patinete de três rodas. Outras mães e filhos quiseram também, e ela decidiu começar a vender, junto com a amiga Philippa. Encomendaram 4 unidades ao distribuidor na Grã-Bretanha: uma para o filho de Philippa, Thomas, e três para revender. Venderam todos rapidamente, pediram mais, e para resumir a história, venderam 70 no primeiro ano, anunciando em cafés e pubs do bairro.

Em algum momento, o distribuidor desapareceu, e Anna contatou diretamente o fabricante, uma empresa suíça chamada Micro Mobility Systems, e encomendou 48 patinetes para atender a demanda que tinha. O fabricante sentiu o potencial das duas mães e as convidou para ir a Zurique, na sede da empresa. Mesmo sem nenhuma experiência prévia em negócios, elas saíram de lá com a representação para a Grã-Bretanha. Elas ainda contribuíram com algumas dicas certeiras como, por exemplo, encomendar patinetes cor de rosa, pois até então eram todos pretos ou cinza escuro.
Anna e Philippa se conheceram quando grávidas, ao frequentar o mesmo consultório médico, ambas esperando o segundo filho. “Viramos amigas, temos filhos da mesma idade e compartilhamos os mesmos interesses”, conta Anna. Mãe de Edward (16), Will (14) e Jack (12), diz que “tudo o que sabíamos na época, como mães, é que os patinetes eram sensacionais e não havia nada similar no mercado, nada que uma criança dessa idade pudesse ter tanta independência e liberdade, ao mesmo tempo que ajuda com a mobilidade e coordenação motora”. Philippa, mãe de Georgia (21), Tom (16) e Dominic (14), trabalhava no mercado financeiro antes de ser mãe em tempo integral. Ela diz que “não sabíamos nada de distribuição de produtos, o negócio não teria sobrevivido a tantas pressões e inexperiência se nós não fossemos de fato grandes, grandes amigas, que levamos nossas crianças na praça para brincar juntas e compartilhamos o mesmo senso de humor”.
De repente, com o contrato com os suíços garantido, elas tiveram que pensar em varejo, revenda, estratégia, marketing, logística, preços, contabilidade, importação, e todas essas coisas. Isso sem contar levar as crianças na escola, atender clientes e encontrar um lugar onde instalar um depósito e escritório, sem abrir mão de serem mães em tempo integral.
Por exemplo, uma vez esqueceram que um importante fornecedor vinha a uma reunião, então improvisaram a conversa de última hora enquanto davam o lanche da tarde para cinco crianças, no meio da sala de reuniões, com os pequenos demandando coisas. Ofereceram ao convidado um sanduíche.

A empresa atualmente emprega 35 pessoas e fatura 15 milhões de libras por ano (aproximadamente R$ 64 milhões). Mas isso não parece impressionar Anna e Philippa, que se consideram, acima de tudo, mães. Em época de férias evitam reuniões, e toda a empresa gira ao redor dos cuidados com a família.
Toda essa história parece exemplar  – não só para as mulheres, mas também para os homens – sobre como é possível ser bem-sucedido nos negócios sem relevar a família ou os filhos. Aliás, as vezes família e filhos são justamente a nossa inspiração para um empreendimento. E a nossa fonte de energia para tocá-lo em frente.
Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo – escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

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