Limpeza e segurança mudaram de significado para franquias na pandemia

Limpeza e segurança mudaram de significado para franquias na pandemia

Nas franquias de limpeza, antes os clientes queriam sentir que o ambiente estava realmente limpo; hoje, querem saber qual o produto utilizado, fabricante, se há sanitização, o poder de matar bichos etc

Ana Vecchi

10 de setembro de 2021 | 14h19

Historicamente, sempre tivemos uma grande preocupação com quem vem arrumar a internet, consertar a geladeira ou prestar algum serviço em casa ou no escritório. Profissionais de limpeza e cuidados, por exemplo, deixaram de ser considerados como alguns dos que representam possíveis riscos às pessoas nos serviços em domicílios e passaram a ser vistos como os responsáveis pela saúde e bem estar.

Durante a pandemia, vimos muitas notícias sobre o protocolo sanitário da Anvisa, os benefícios de cumpri-lo e quantas empresas se especializaram nisso. No franchising, as franqueadoras do setor de limpeza e conservação viram seus números crescerem e têm sido opção de negócios para muitos novos empreendedores.

Com a Maria Brasileira não é diferente. A marca de multisserviços cresceu 40% em número de franquias e hoje atua com 10 mil profissionais de limpeza e cuidados, nas quase 400 unidades instaladas. Quanta gente trabalhando pela saúde, higiene, faxina e sanitização de ambientes e cuidados com idosos e crianças!

O Felipe Buranello, fundador e sócio da Maria Brasileira, me disse que, nas pesquisas de satisfação de clientes, as duas qualidades mais recorrentes são praticidade e segurançaPraticidade é fácil entender, mas quando falou em segurança, logo pensei que as pessoas querem saber quem vai fazer o serviço, se é feita a checagem de antecedentes criminais, se vão enviar foto do profissional, número dos documentos, haja vista tanta notícia sobre violência.

Funcionárias da rede Maria Brasileira. Foto: Divulgação

Felipe contou sobre (quase) todos os procedimentos acentuados, durante a pandemia, conforme o Protocolo Sanitário. Considerado trabalho essencial, o treinamento sobre as tarefas, produtos, forma de trabalho, comportamento e cuidados foram intensificados e cuidadosamente avaliados. 

A cultura e a conversa mudaram, como o Felipe disse, e achei curioso. Antes a gente começava o papo perguntando como as coisas estão, o que andamos fazendo. Agora é se já tomamos vacina, a marca e quantas doses. Os clientes da rede queriam sentir que o ambiente estava realmente limpo e cheiroso. Hoje, querem saber qual o produto utilizado, fabricante, se há sanitização, o poder de matar bichos – que não são mais as baratas, traças ou cupins. Se a equipe trabalhava uniformizada, hoje vão com máscara e troca de roupa ao chegar. As expectativas, preocupações e perguntas mudaram.

Lógico que a parceria com empresa que faz a checagem do histórico dos profissionais existe e o processo de seleção é rigoroso, mas a palavra segurança neste quesito ficou em 2º grau de importância. Parte-se do pressuposto que este aspecto já foi checado. As perguntas agora são:

  1. Que tipo de serviços vocês fazem?
  2. Seguem os protocolos sanitários?
  3. Que produtos usam?
  4. Funcionários trabalham com máscara, luvas e álcool gel?
  5. São cadastrados e vocês checam os antecedentes? Nos passam os documentos deles antes de virem?

O home office também mudou comportamentos. Profissionais de limpeza e cuidados e os moradores estão trabalhando no mesmo local. O profissional chega e os moradores não saem. Qual a regra para uma convivência que inexistia? Cada um criou a sua na própria casa, mas a rede franqueada combinou muita coisa no quesito comportamental com os times. A parte técnica já era sabida e com excelente performance, mas, o comportamental é quase outro mundo! Pessoas!

A inteligência de dados na gestão desta rede de multisserviços é fundamental para analisar a experiência do consumidor, a jornada de clientes que, por exemplo, trabalhavam fora e passaram a ser home office, complicando um pouco mais quando se tornam híbridos, o que deve impactar na agenda dos franqueados e a disponibilidade das equipes, na minha opinião. 

Os clientes passaram a ter noção do que produzem de lixo, sujidade, a quantidade de cabelo que cai, quanta louça para lavar e brinquedos espalhados. Não vou tocar no assunto pet, que o Felipe nem mencionou, também não perguntei. Um mundo maravilhoso à parte no universo de serviços de limpeza. 

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Falando com o Felipe, o termo segurança tornou-se bem mais amplo e humanizado para mim. Ficou maior: incorporou as ruas, domicílios e empresas, nas mãos de profissionais de limpeza e cuidadores, ao campo hospitalar e corpo médico no quesito saúde. A segurança está mais cheia de detalhes, nos quais bons produtos, procedimentos, higiene, disciplina e consciência valem mais que qualquer arma, que deve estar nas mãos de quem deve proteger.  

A gente sabe disso, mas refletir sobre o poder e a extensão das palavras inseridas em vários contextos torna mais lógica a vida e as atitudes que tomamos, quem contratamos e a quem agradecemos. Obrigada Marias Brasileiras e de todo o mundo!

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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