Lições de empreendedorismo que não estão nos livros

Daniel Fernandes

02 de agosto de 2013 | 07h39

Abrir um negócio é fácil; difícil é lidar com as dores, os dilemas e os desafios dessa decisão


O número varia, mas o Brasil tem entre seis a oito milhões de empresários, sendo em sua imensa maioria composta de donos de nano, micro e pequenos empreendimentos. Há de tudo, desde pessoas que mal sabem ler e escrever a PhDs formados nas melhores universidades do mundo.
Ter um negócio próprio é o sonho dos jovens que saem das faculdades. Na última pesquisa “A Empresa dos Sonhos” realizada pela empresa de consultoria DMRH com jovens universitários, o “negócio próprio” ficaria na quarta posição, só perdendo para o Google, Petrobrás e Itaú.
Entre os executivos, ter um negócio próprio não é um sonho, é, pelo menos um Plano B, isto quando já não está virando Plano A. Para estes executivos, o motivo de pensar em um negócio próprio não é apenas para ter mais “liberdade” como pensam os jovens universitários, mas também porque estão cansados de bater metas cada vez maiores, de sacrificar suas vidas pessoais em função de bônus e principalmente, por trabalharem em empresas sem propósitos alinhados aos seus.
Pensar na opção de empreender abre mais oportunidades para o desenvolvimento da carreira profissional das pessoas. Muitos pais já estão preocupados se seus filhos estão “aprendendo” empreendedorismo nas escolas de ensino infantil, fundamental e médio. Sabem que aquele emprego que os seus pais tiveram, de entrar em uma empresa e nela se aposentar, só vale para o funcionalismo público, isto se a entidade não for privatizada no meio do caminho.
Se por um lado há cada vez mais brasileiros que estão empreendendo ou querendo empreender um negócio próprio, por outro lado, as opções de educação empreendedora e os livros sobre o assunto ainda estão concentrados no estágio de criação da empresa. Mas abrir um negócio é a parte mais fácil do empreendedorismo. Difícil mesmo é lidar com os dores, desafios, dilemas e desejos do empreendedor que se tornam maiores e mais complexos com o desenvolvimento (ou não) dos negócios. E a maior parte destas lições, infelizmente, ainda não está nos livros ou nos cursos de empreendedorismo.
Por esta razão, o que os empreendedores têm escrito no Blog do Empreendedor do Estadão PME representa oportunidades únicas de aprendizado que não estão nos livros. Nos últimos meses, Pedro Chiamulera da ClearSale, Renato Steinberg da Fashion.me, Juliana Motter da Maria Brigadeiro, e Adriane Silveira, da Nanny Dog tiveram a coragem de compartilhar suas dores, dilemas, desafios e desejos a respeito dos seus negócios para incentivar que atuais e futuros empreendedores a encararem o empreendedorismo não apenas como algo lindo, maravilhoso e romântico.
Se você pensa em empreender ou está iniciando um negócio agora, releia os posts da Adriane Silveira. Ela fala de cães, já que eles fazem parte do seu dia-a-dia, mas várias das lições que postou aqui no Blog são válidas para outros tipos de negócio.
Se você pensa em criar ou lidera uma startup de tecnologia, releia os posts do Renato Steinberg. Ele é um dos principais empreendedores “digitais” do Brasil e lidera uma empresa que recebeu aporte de investidores e está se expandindo internacionalmente.
Se você é empreendedor de um negócio de médio porte, releia os posts do Pedro Chiamulera. Ele não contou, mas foi um dos principais atletas do Brasil e agora é um dos empreendedores mais queridos da Endeavor Brasil, uma das ONGs de empreendedorismo mais respeitadas do mundo. Sua empresa já está bem estabelecida e já implementou métodos de gestão, mas nem por isto sua vida de empreendedor é fácil. Enquanto outros empresários reclamam, Pedro encara estas barreiras com bom humor, dedicação, planejamento e um time comprometido com o negócio.
E se você for empreendedor de qualquer porte ou mesmo que nem pense em empreender, releia os posts de Juliana Motter. Ela empreende um negócio tão bacana quanto os demais, mas tem uma vantagem aqui no blog: ela se formou em jornalismo! E por isto, seus textos são tão deliciosos quanto seus brigadeiros.
Minha função aqui é comentar os posts da semana dos meus colegas empreendedores. Mas neste post, eu gostaria de fazer um agradecimento final pela coragem e generosidade destes empreendedores em dividir seus aprendizados e lições. Certamente não estão nos livros. Mas se estivessem, não teriam preço!

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