Leia para seus filhos: livros mudam pessoas. Pessoas mudam o mundo

Daniel Fernandes

19 de janeiro de 2018 | 08h52


É com este mantra que Cláudia Kubrusly, Joana Mello e Priscila Seixas empreendem a Editora Voo e a Vooinho (dedicada aos livros infantis) e é também com esta mesma lógica que eu e minha esposa temos incentivado a leitura em nossas duas filhas pequenas de oito e quatro anos.
Assim, nada me deixa mais feliz do que encontrar um livro incrível para ler junto com elas, principalmente quando o assunto tratado tem alguma relação com empreendedorismo, minha área de atuação. E a Editora Vooinho publica dois desses livros eternos que deixarei com minhas filhas.
O primeiro é “O que você faz com uma ideia?” (Editora Vooinho, 2016). O autor, Kobi Yamada, explica que “para as crianças, o livro toca naquilo que são apenas brotos de esperanças, sonhos e medos sobre criar algo novo. Para os adultos, pode lembrá-los das vezes em que eles desistiram de uma ideia ou do momento em que eles transformaram uma ideia em algo significativo.” Só isto já foi o suficiente para comprar dois exemplares para cada filha. Em inglês, quando não havia a versão traduzida, e depois em português. A sequência do mesmo autor foi “O que você faz com um problema?” (Editora Vooinho, 2017). Na estória, quanto mais a criança tenha esconder, ignorar ou fugir do problema, maior ele se torna. Até que um dia ele decide enfrenta-lo, entende-lo e resolvê-lo e tem um dos maiores aprendizados da sua vida. “Para que servem os problemas? Eles nos desafiam, nos moldam, nos empurram e nos ajudam a descobrir quão fortes, corajosos e capazes nós somos de verdade. Mesmo que nem sempre os desejemos, os problemas têm uma maneira de nos mudar de formas inesperadas. Então, o que você vai fazer com um problema?” é a reflexão proposta pelo autor.
Além da Voo, também sou fã do trabalho com livros infantis da Editora Cosac Naif, mesmo que já exista. Fiquei muito triste com o seu fechamento e um pouco mais feliz quando a Editora Cia. Das Letras com o selo Cia. Das Letrinhas começou a reeditar alguns, com destaque para o “A parte que falta” (Cia. Das Letrinhas, 2018). Neste livro escrito por Shel Silverstein, o personagem principal sai um busca da parte que lhe falta, mas no final “talvez perceba que a verdadeira felicidade não está no outro, mas dentro de nós mesmos” – como explica. A felicidade não está em um outro alguém ou alguma coisa, mas em nós mesmos. Descobrir isto mais cedo é celebrar mais a vida.
A Cosac também publicou “Caro Einstein” (Cosac Naif, 2007) e “Diferente como Chanel” (Cosac Naif, 2009). O primeiro narra uma inspiradora história real de uma menina de sete anos que envia uma carta ao Albert Einstein pedindo ajuda para resolver uma exercício da escola da sua irmã mais velha, de 15, que seria crucial para que ela passasse de ano. Einstein demonstra como a criatividade pode ser mais importante do que o conhecimento na resolução dos problemas. Mais do que uma lição de lógica, uma lição para a vida. O segundo livro traz a incrível trajetória de Coco Chanel em uma versão para crianças e explica de forma muito lúdica e inspiradora como é importante sermos o que quisermos ser, mesmo que sejamos “diferentes” dos outros. Mesmo fora de catálogos, os livros podem ser encontrados em sites de livros usados como o Estante Virtual. Mas torço para que sejam reeditados logo!
A Editora Salamandra é outra editora em que compro com muito prazer. É aqui que a escritora Ruth Rocha publica seus livros (vários deles nas estantes nos quartos das minhas filhas). É difícil destacar um livro da Ruth, mas no tema empreendedorismo, eu já decorei a estória de “O coelhinho que não era de Páscoa” (Ed. Salamandra, 2009). O título já diz muito sobre Vivinho, o coelhinho. Mas se não era de Páscoa, o que Vivinho será? Um grande ensinamento para que nossos filhos sigam a carreira profissional que os realizem de fato. A Salamandra também publica o instigante “A revolta dos gizes de cera” (Salamandra, 2013), que trata de forma muito lúdica a questão do trabalho em equipe e da importância das diferenças.
A lista de livros que amamos ler para nossas filhas é, com certeza, muito longa diante das mais de 300 unidades que lotam as estantes do chão ao teto, mas finalizo com um que ainda não foi publicado no Brasil, o “Rosie Revere, Engineer” (Abrams Book, 2013). Neste livro, a tia-avó de Rosie vem visitá-la e conta a única a coisa que não conseguiu fazer: voar. Rose então tem uma ideia e começa a projetar uma máquina voadora. Ao mostrá-la para seus familiares, o objeto de Rose se espatifa no chão, deixando a inconsolada. Para seu espanto, sua tia diz que sua invenção foi um sucesso. “Você fracassa mesmo, quando você desiste!” – explica.
Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

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